Requiem for a Dream

A criança está no canto da sala. Vê pessoas muito maiores que ela nos seus afazeres. Não os compreende. Sem os compreender continua a brincar com o seu puzzle. Há muitas peças, todas deveriam ser colocadas na moldura para formar uma imagem. A criança assim faz, colocando cada peça no lugar que acha melhor e passados alguns momentos apenas resta uma peça.
É grande, talvez a maior das peças e ajusta-se no centro da moldura na perfeição. A criança percebe este facto e coloca-a no seu lugar. A imagem fica completa. A criança dá-se por feliz.

A criança muda de opinião. Olha para o puzzle e tudo lhe parece bem excepto aquela peça do meio. Decide tirá-la. Coloca outras peças de outros puzzles que remedeiam a imagem mas não a completam. Nunca estará bem assim. O puzzle fica completo mas extremamente incompleto. À criança não lhe interessam esses assuntos, portanto levanta-se e vai brincar para outro lado. E o puzzle ali fica, destroçado na sua solidão. Nunca estará completo a cem porcento. Viverá uma existencia vazia, acentuada pelo facto de um dia ter estado completo. E de ter perdido a peça mais importante.

Parecem tão antigos estes dias. Tão distantes. Já não interessa. Já nada interessa. Na cama tenta lembrar-se de tudo. Mas não consegue. Começa a tocar Mozart. Quem toca, não sabe. Mas sabe o que significa.

Carlos André da Palma Alves

2 Comments »

  1. A imagem do puzzle retrata na perfeição a ideia que (penso que) queres passar.

    Será que posso acrescentar o teu link ao meu blog?

  2. André Alves Said:

    Sure! Adiciona como se não houvesse amanhã.


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