Deitado na cama tento abrir os olhos mas dói demasiado. Estás a meu lado, tapada com lençóis transparentes. Ainda dormes e a tua respiração permanece constante.
(Ama-me)
Ontem á noite fizemos sexo, foi bom, intenso. Agora descansas pacificamente. Estou na cozinha a fazer o pequeno-almoço. Juntas-te a mim dando-me um beijo de bom dia. Olhas-me ternamente mas há algo mais. O quê?
Tocam à porta. Corro para o quarto e visto qualquer coisa.
(Protege-me)
Era engano.
Ponho pimenta nos ovos que estão na frigideira, sei que gostas deles dessa forma. Tens um cigarro na mão e fumas calmamente enquanto olhas para mim com um olhar intenso que me despe de tudo o que me protege. Avanças e metes o cigarro nos meus lábios. Mas eu não preciso dele. Ou preciso? Comemos na mesa da cozinha, beliscas-me enquanto levas o leite à boca. Acabas e ao levantares-te dás-me um pontapé com não muita força. Foi sem querer.
(Dói?)
Saio para o trabalho. O dia corre-me da mesma maneira que todos os dias me correm: nem mal nem bem. Apenas pontuados com ligeiras suposições de novidade mas no fundo são o tédio e a monotonia na sua expressão máxima. Tu estás sempre comigo. Nunca me deixas. Tocas-me lentamente, ás vezes, começando pela ponta do dedo e depois já estás agarrada a mim, prendendo-me.
O dia passa, lentamente demais e rápido demais. Também eu passo pelas pessoas, sem as tocar. Tu não deixas que eles me toquem.
(Protejo-te)
Voltamos a casa. Janto contigo. Hoje foi um dia especial. Raramente saio á rua. Tu tens medo. Não gostas de outras pessoas a falarem comigo. Sentes-te traída, ameaçada. Raros são os dias em que saio.
Tocam á porta. Escondes-te atrás de mim. Abro a porta e ali está um amigo meu com uma arma na mão. Ele mete-a na minha mão e faz um ar entendedor.
(Por favor)
Pergunta-me se estou sozinho. Digo-lhe que sim, de facto, não está ninguém á vista. Ele sai passados alguns minutos. Olhas para a arma que tenho na mão. Tentas tirar-ma, não deixo. Falas comigo. Durante quanto tempo? Terão sido horas?
Sentado no sofá entrego-te a arma. Ela até estava carregada…
Nota: Sei que os meus textos são complicados de se entender, e mesmo apesar de achar que este está estupidamente fácil de perceber, sei que não está. Portanto dou uma ajuda: obviamente a mulher é uma metáfora para alguma coisa. Pensem nisso como se não houvesse amanhã!
Estava a ver-te jogar como já tinha feito muitas vezes. Era um entre centenas. Fingia observar todas as manobras com neutro desinteresse. Eu queria era ver-te a ti. Só te via a ti. Via vultos á tua volta mas apenas tu importavas.
O jogo acabou e deixei-te festejar com a tua equipa. Mais tarde estaríamos juntos. Estava sentado na relva perto de tua casa, lugar onde sempre nos encontrávamos. Era um lugar escondido pelos montes e era lindo. Chegaste e sentaste-te perto de mim. A tua mão foi posta a meio caminho entre os nossos corpos. A minha depressa se lhe juntou. Estavas eufórico, falavas de como marcaste o último cesto dando a vitória á tua equipa. De como estavas feliz e realizado. Eu estava feliz apenas por te ouvir e por estares perto de mim. Quantas horas ficámos ali? Não sei. Apenas me lembro de que quando cheguei a casa a minha mãe estava chateada. Ficámos muito tempo ali.
Estavas chateado, as coisas não corriam bem em casa e sentia a tua tristeza a atingir níveis extremos. Saímos do café onde estavamos e fomos para minha casa pois era a que estava mais perto. No meu quarto cedeste. Ainda há dias estavas verdadeiramente feliz. Mas não hoje. Agora choravas nos meus braços, indefeso e frágil. Dei o meu melhor. Acalmei-te como só eu conseguia fazer e passados alguns momentos estavas a dormir com a cabeça no meu colo. Os teus cabelos brilhavam com o sol que entrava pela janela, mexi neles sem te acordar. Tal gesto acalmava-me. Não te podia acalmar sem sentir o que sentias, sem ficar triste, sem me sentir deprimido. Mas era um custo que eu pagava com muita alegria.
Estávamos preparados. Falámos imenso sobre isso. Considerámos as coisas que daí poderiam advir. Decidimos que sim. Era normal estarmos nervosos. Era normal sentir tudo aquilo. Todas as emoções concentradas num só olhar. Tudo o que sentíamos num só toque. Não me esqueci.
Como podia aguentar? Como pude aguentar? Não sei. Apenas sei que o fiz. Certo, era complicado andar na rua. Era complicado estar num café, tão perto de ti e ao mesmo tempo tão longe. Mas isso só nos tornava mais fortes.
Quando os afectos não podem ser demonstrados, sempre que o são ganham uma importância maior.
Hoje vi um filme que não esperava que fosse tão bom e revelou-se um filme fantástico. Admito que a história não vá interessar a pelo menos 85% da população portuguesa mas para os poucos iluminados, este filme será marcante ou no mínimo muito interessante. Tentem alugar ou recorram á ilegalidade para o verem. O que interessa é que o vejam. O fim é revoltante mas pronto, apenas dá mais força á mensagem do filme.
Ela está ali quieta como sempre. No móvel de madeira escura, quente, agradável. Não há pó naquele móvel, não por ser limpo mas por demasiado movimento. O resto da sala parece abandonada ao seu destino, não me importo. O resto perde importância quando olho para o móvel.
Olho para ela com um sorriso. Afago-a e recorro ao tacto para me dizer o que lá está. A visão de pouco me serve. Não percebo muito bem o que lá está. Apenas sei o que devia ver uma vez que estava lá quando foi tirada. Mas não me lembro bem dos detalhes, não me lembro quem estava ao lado de quem. Não me lembro das expressões das pessoas.
E no entanto, aqui está ela. Tenho-a na minha mão e basta-me olhar para me lembrar. Basta mesmo? Não. Por muito que olhe não consigo discernir o que lá está. E a memória vai-me falhando portanto não sei o que devia ver. Já se passaram tantos anos (são mesmo 40?) e todo aquele dia se me varreu da memória. Apenas sinto o fantasma dela perto de mim.
Sinto-a perto de mim mesmo apesar de a ter perdido há muito. Mas não me lembro dela. Não me lembro da cor dos seus cabelos. Da cor dos olhos. Não me lembro do seu sorriso nem da maneira como o cabelo ondulava ao vento (se é que ondulava). Não me lembro da voz dela.
A fotografia não me conseguiria dizer isso? Talvez. Se porventura conseguisse olhar para ela e perceber.
Tenho uma dúvida. Ainda é proibido matar animais de estimação de pessoas alheias?
Hoje fui tomar o pequeno-almoço com a minha mãe a um café (ohh so sweet). Acordei tarde porque fiquei a ver o The Constant Gardener pela enésima vez e depois começei a ler o livro homónimo. Acordei e depois como disse, saí para ir ao café. Quem encontro pelo caminho? Uma vizinha dos seus 70 e muitos com dois cães minúsculos. Ora os ditos cães teimam em ladrar infernalmente sempre que alguém passa e um deles já se estava a colar aos meus All Star ( e ainda por cima eram os meus preferidos!).
Não tenho medo de cães mas a ideia de que um me morda é particularmente má e portanto preparei-me para pegar no cão e fazer um home run caso ele decidisse tornar-me o seu pequeno-almoço. Tal não aconteceu mas continuaram a ladrar. Um mau começo de dia.
Agora estou a divertir-me a ver um DVD dos Placebo (ai Brian Molko e ai Stefan Olsdal …) enquanto várias pessoas teimam em conversar comigo no msn mesmo apesar de já ter dito que queria ver o dvd sem paragens.
Adiante, gostava de deixar aqui um pedido. Darei um pacote de Cheerios a quem mandar os cães desta para melhor. Alguém se candidata?
Vi isto num DA de um amigo meu e por vezes gosto de fazer estas coisas parvas. Divertem e podem conhecer-me melhor. (e não conta como post)
O objectivo é meter a itálico os que já fiz.
Te formaste na Faculdade Fumaste cigarros Ficaste inconsciente de bêbedo Foste a todas as diversões de um parque Coleccionaste algo mesmo idiota
Foste a um concerto de rock
Pescaste
Dançaste numa discoteca
Seguiste alguém no metro ou na rua porque o/a achaste interessante Viste quatro filmes numa noite
Passaste 3 dias ou mais sem dormir Mentiste a alguém Acabaram um namoro contigo
Alguém te encornou
Cheiraste cocaína Te baldaste a uma aula Fumaste ganza Estiveste num acidente de carro Estiveste num tornado
Usaste drogas pesadas Viste alguém morrer
Estiveste num funeral
Ardeste um bocado de cabelo
Correste numa maratona
Voltaste de uma saída com um buraco de cigarro na roupa
Tiveste os pais divorciados Choraste até adormecer
Gastaste mais de 200€ num único dia
Voaste num avião
Engataste alguém
Foste engatado/a Escreveste uma carta de dez páginas
Fizeste ski
Velejaste
Cortaste uma parte do corpo propositadamente Tiveste um melhor amigo
Perdeste alguém que amavas
Roubaste algo de uma loja
Estiveste na prisão
Foste suspenso Foste culpado por algo que não fizeste Roubaste livros de uma livraria Foste a outro país Abandonaste a escola
Estiveste num hospital psiquiátrico Leste um livro do Harry Potter
Viste um filme do Harry Potter
Tiveste um diário online
Disparaste uma arma
Jogaste num casino Participaste numa peça de escola Foste despedido
Nadaste com golfinhos Beijaste alguém do sexo oposto
Beijaste alguém do mesmo sexo
Escreveste um poema Votaste no BB/Operação triunfo/Ídolos
Telefonaste para o Toca a Ganhar Leste mais de vinte livros num ano
Amaste alguém que não podias ter
Ficaste confuso acerca da tua sexualidade Usaste um livro de pintar depois dos 12 anos Fizeste uma cirurgia
Levaste pontos (quantos?) Sei lá, foi há anos.
Te fartaste de esperar pelo metro/autocarro e apanhaste um táxi
Tiveste algum problema com álcool ou drogas
Participaste numa luta
Sofreste qualquer forma de abuso Pintaste o cabelo Fizeste uma tatuagem
Fizeste um piercing
Tiraste só notas 20
Estiveste entre os melhores alunos da escola
Foste mandado para um psicólogo
Foste algemado Conheceste alguém com HIV ou SIDA Tiraste fotos com uma webcam Começaste/ias começando um incêndio
Deste uma festa quando os pais não estavam em casa
Foste apanhado na alínea anterior Fizeste amigos na net e conheceste-os ao vivo
Namoraste alguém conhecido na net Fizeste várias tags como esta só para passar o tempo
Há tantas coisas fascinantes que ainda me faltam fazer…
Chego a casa feliz, a noite foi divertida e ainda sinto a euforia que advém dela. Num gesto algo mecânico sento-me no sofá e pego num dos muitos livros que estão na mesa. Ele já se foi deitar.
Capítulo 1. Página 5. São agora 23:41.
Olho para ti, pareces-me estranha e pergunto-te o que se passa. Respondes que nada e brindas-me com um sorriso, sabes bem que é inútil estares a fazê-lo mas achas que me deves proteger, como sempre. Leio a tua linguagem corporal para saber se estava realmente tudo bem. Não estava. Falamos.
Capítulo 1. Página 5. São agora 00:27.
Talvez não seja natural, talvez seja algo que não se deva fazer. Será assim tão reprovável sentir este ódio? Não aqueles ódios parvos que crescem com a adolescência mas que sabemos no fundo serem coisas parvas, birras de uma mente em crescimento. Não. Falo de ódio a sério. Será mesmo assim tão mau?
Gostava de dizer que lamento odiar-te, gostava mesmo. Mas existe arrependimento quando não há opção?
Capítulo 1. Página 5. São agora 03:59.
Desisto de tentar assimilar a primeira página. Vou-me deitar e luto contra a vontade de chorar, não de tristeza, aquelas lágrimas que caiem quando se está demasiado chateado.
Passa-se um bocado e não consigo adormecer. A minha mente salta de cenário em cenário. Volto para a sala e faço outra tentativa.
Capítulo 1. Página 5. São agora 06:14.
Nota: Não haverá posts novos durante pelo menos uma semana, talvez duas.
Mais um pouco e sei que conseguiremos. Estamos quase lá, não estamos? Andámos e lutámos para chegar aqui. E conseguimos. Não conseguimos?
Lemos páginas sobre o assunto, estudamos e tentamos compreender. Sabemos a teoria, falta saber se sabemos pôr em práctica.
Na rua vemos outros, melhores que nós. O que nos falta? O que temos de compreender? O que temos de fazer?
Esta nossa luta dá-nos um objectivo, algo para onde olhar. Algo onde nos podemos concentrar e parecer interessados. Mas a crua verdade é que não há nada mais para olhar, apenas objectivos inventados para fugir ao silêncio.
Sabes do que fugimos nós? Da falta de intersecção.
Moro num sítio horrível (nem vou dizer o nome para os caríssimos leitores não perderem a fé em mim) que é mau durante o dia e absolutamente deprimente durante a noite. Ir para Almada quase todos os dias é um bálsamo mesmo apesar de aquilo estar cheio de pessoas que não são muito do meu agrado mas até há uma ou outra pessoa interessante.
Ontem, estava num café com um amigo meu, a vida era bela e corria bem até que, parvo como sou, peço-lhe para irmos andar um pouco pelas ruas deprimentes que há neste pseudo-bairro. Assim foi, andámos por ruas completamente vazias até que começámos a ser seguidos. Ora, o leitor deve perceber que a taxa de criminalidade neste lugar é bastante alta mas que eu nunca fui assaltado. E não estava com grandes vontades de experimentar.
O meu amigo disse-me “estamos a ser seguidos” e eu pensava”o meu iPod….” Já estava a prometer a Deus nosso Senhor (ew) ser um bom rapaz, seguir os seus ensinamentos (err…) e fazer tudo o que ele manda quando finalmente eu e o meu amigo nos vemos safos do problema.
Mais uma boa noite num bairro problemático.
Caros leitores, não haverá por aí uma alma caridosa que esteja disposta a viver comigo numa casa longe daqui? Ofereço um ovo Kinder!!
Carlos André da Palma Alves
a ouvir: I’m Going To Make A Cake – Philip Glass (The Hours OST)
Eu antes gostava muito de Sigur Rós, ouvia sempre que estava chateado e acalmava-me imenso. Era óptimo para se ouvir em situações de estudo. Para quando se está no autocarro, para quando se está em casa. Sigur Rós ouvia-se sempre.
Mas nunca tinha visto nenhum video dos referidos, excepto o que meti aqui há uns dias, mantinha-me na ignorância. Hoje fui á aventura e dei de caras com este video (não o vejam só pela mensagem, reparem nos detalhes, na slow motion):
Não me lembro do sabor das lágrimas.
Nem sequer de como me sentia quando eles corriam pela cara.
Não consigo sentir o toque de alguém.
O café nunca é forte o suficiente.
Se é que ainda o sinto.
O tabaco há muito que deixou de ser calmante.
Já nada é.
As horas arrastam-se e não sei o que fazer delas.
Sinto-me obrigado a fazer qualquer coisa.
A escrever, a dizer, a fazer, a construir.
Mas o quê?
E mais importante, para quê?
Poucas coisas são seguras.
As que são, a pouco e pouco vão-se desmoronando.
Mas tu não, tu estás lá sempre.
Sempre estiveste.
Sempre estarás.
Não estarás?
Elas estarão, sempre.
Até a última chegar.
Posso não sentir nada,
Posso até fingir que sinto.
Mas pelo menos, sei que devia sentir qualquer coisa.
Carlos André da Palma Alves
Richard Brown: I don’t think I can make it to the party, Clarissa.
Clarissa Vaughn: You don’t have to go to the party, you don’t have to go to the ceremony, you don’t have to do anything you don’t want to do. You can do as you like.
Richard Brown: But I still have to face the hours, don’t I? I mean, the hours after the party, and the hours after that…
Diálogo do filme The Hours, o meu filme preferido cuja história é uma adaptação do romance homónimo de Michael Cunningham que é por sua vez o meu livro preferido.
Nunca tinha percebido bem a razão de “as gajas” pensarem que a queda de cabelo é a chegada dos cavaleiros do Apocalipse.
Até hoje.
Ando a deixar crescer o cabelo, ainda não está no tamanho ideal mas para lá caminha. Estava eu a estudar, absorto na matéria, a ouvir a banda sonora do meu estudo (a saber: Gotan Project, Thievery Corporation, Sigur Rós e Final Fantasy X OST) quando olho para a folha do meu caderno. Nela jaziam quatro cabelos aloirados. Senti-me como se alguém tivesse morrido, como se uma parte de mim me tivesse deixado para sempre.
Depressa recolhi os cabelos já tão longos e os deixei cair para o chão, demoraram uma eternidade a fazê-lo. Hoje á noite chorarei na minha cama, fazendo o luto pelos pobres cabelos perdidos.
Anyways, quarta vou cortar o cabelo, nada de cortar muito, apenas um corte de manutenção. Tentarei não olhar para os pobrezinhos… (snif)
Carlos André da Palma Alves
a ouvir: Song Of Prayer – Final Fantasy X Piano Collection
Era suposto ir hoje com uma amiga á Baixa/Chiado. Não vamos. Porquê perguntam os caríssimos leitores? Porque não podem cair uma ou duas gotinhas de água e este país estagna. É o caos!
Hoje apanhei o autocarro ás 08:35, as usual, e uma viagem que demoraria 20 minutos demorou uma hora (repito, UMA HORA)
Minha gente, é só uma ligeira precipitação, não façam disso um motivo para serem preguiçosos.
Algum dia eu me preocuparia com a chuva? Não! A minha única preocupação é que a chuva molhou o estaleiro que é Almada e aquilo estava cheio de lama e os meus All Star novinhos ficaram todos sujos. Isto sim, é dramático!
Bebemos o mesmo de sempre, meia de leite.
Há uma promessa no ar, quase um aviso.
Aproveita enquanto podes.
Estás sentado da maneira como estás sempre.
As ruas estão desertas.
Fumas enquanto falamos dos assuntos mais sérios para os assuntos mais triviais.
O fumo voa em círculos.
Sinto-me em paz.
São-me necessários.
Vícios sem a parte má.
A bolha aguenta.
Permanece estável e segura.
Ainda bem.
Carlos André da Palma Alves
The little prince went away, to look again at the roses.
“You are not at all like my rose,” he said. “As yet you are nothing. No one has tamed you, and you have tamed no one. You are like my fox when I first knew him. He was only a fox like a hundred thousand other foxes. But I have made him my friend, and now he is unique in all the world.”
(Excerto do livro “Le Petit Prince” de Antoine de Saint Exupéry, famoso escritor e aviador. 29 de Junho de 1900 – 31 de Julho de 1944)
Caros leitores, um pouco de cultura. (Prometo que não vai doer.) Pedro Almodóvar está a pensar num próximo filme. Ele contará a história (verídica) de Marcos Ana, um homem que foi preso pelo regime de Franco quando tinha 19 anos e que foi liberto quando tinha 42. O filme irá girar á volta da sua adaptação aos espaços abertos, á luz e á liberdade em geral.
Comunista, Marcos Ana começou a escrever poemas anti-fascistas que chegaram ao mundo através de outros anti-fascistas.
Ora, sendo assumidamente comunista (entre outras coisas) este filme contém todos os ingredientes para mim que gosto imenso da obra do referido realizador.
De notar ainda que Almodóvar realizou La mala educación, um EXCELENTE filme muito criticado pela Santa Madre Igreja (wonder why…) Entre os seus êxitos contam-se Volver, Hable con ella, Todo sobre mi madre entre muitos outros.
A minha vil Mãe após muito pensar numa solução para o meu esquecimento relativo ás limpezas encontrou uma solução que muito lhe agrada.
Ela disse-me: Ou tens o teu quarto limpo e arrumado nos próximos vinte minutos ou ficas sem iPod durante duas semanas.
E não é que o quarto estava mesmo arrumadinho passados vinte minutos? Fantástico!
Almada é um sítio deveras interessante para se viver. Há muitas coisas a acontecer e felizmente tenho a sorte (leia-se: azar) de presenciar as mais interessantes.
Estava eu na paragem á espera do autocarro de sempre, mais uma vez a ouvir música quando uma senhora de (muita) idade passa ao pé de outra senhora (de ainda mais idade) e encetam este bonito diálogo:
Idosa 1 – Olha esta vadia, que andas a fazer por aqui?
Idosa 2 – Cabra! Foste ás compras?
Idosa 1 – Fui ali ao Pingo Doce, há por ali tantos moços jovens e bonitos.
Idosa 2 – Ai eu também gosto, andam sempre com aquelas calças descaídas e vê-se o rabo e é tão bom.
Por muito que gostasse de vos dizer que estou a brincar, não posso, este diálogo teve lugar hoje ás 11:32. Eu, que sempre fui de opinião de que os velhos deviam ser fuzilados (kidding, I guess…) fiquei deveras horrificado ao presenciar este diálogo abominável por parte de senhoras de tão elevada idade. Hoje terei pesadelos envolvendo um lar de terçeira idade e adolescentes com o cabelo pintado de loiro, vestidos com casacos e sapatos nojentos da DC ou da Element e um ego do tamanho de um pequeno planeta.
Mais uma aventura na minha vida, apenas posso adivinhar o que me espera no futuro.
Pergunto-me, será que os transportes públicos deste país têm obrigatoriamente de parecer o sétimo círculo do Inferno de Dante? As velhas terão sempre de me obrigar a carregar no pause? Terão os adolescentes de parecer tão ameaçadores? Terei eu sempre de esconder o meu bem mais precioso sempre que um basofe se decide sentar ao pé de mim? Caros leitores, peço-vos, boicotem os transportes públicos.
Fora as divagações acerca de transportes e para concluir, deixo-vos com um vídeo de uma banda Islandesa que está muito alta na minha consideração. A sonoridade deles pode parecer um bocado estranha, é certo, mas com o tempo irão aprender a gostar. Se não, é porque são parvos. Dou-vos Sigur Rós.