Uma máquina de escrever.Alguém escreve.O barulho seco das teclas a serem premidas e o barulho característico da máquina faz-se ouvir.Torna-se mais rápido.Pausa.Mais teclar.A máquina voa.E cai, despedaçando-se.Mudas a cor das paredes.Mudas a disposição dos móveis.Arrancas as carpetes.Trocas os cortinados.A casa fica irreconhecível.Mas mesmo assim, não conseguiste eliminar o que querias.Não consegues fazer com que a casa deixe de se parecer com o que te lembras.Não consegues impedir-te de olhar para a sala e pensar.Ver o que se passou.Ouvir, por momentos as palavras que disseste.E as que te disseram.Quase que podes viver a mesma situação outra vez.Como se nada tivesse mudado.Mudaste tudo na casa, para nada.As memórias estão lá.Tu estás lá.Por mais que mudes as coisas,Por mais que te mudes,Por mais que tudo mude,Continuas a vê-lo.Continuas a ouvi-lo.E continuas ouvir a máquina de escrever.E a ver as palavras que escreveste.Mesmo apesar de a máquina estar reduzida a pedaços, no chão.Carlos André da Palma Alves