Archive for January, 2008
{ January 29, 2008 @ 5:33 pm }
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{ Emotions: Inside (mine), Emotions: Outside(not mine), Relationships: Love }
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Há uma casa.Absolutamente normal em aparência.Um homem tenta serrar um poste no telhado.Nesse poste há uma bandeira.A bandeira não representa nenhum país.O homem está a suar.É vigoroso nos seus movimentos.O poste vai aguentando.Está uma mulher à porta da casa.Sem dúvida, é casada com o homem atarefado no telhado.Olha para o marido com esperança.O poste resiste ainda mais uns momentos,Mas cai.A bandeira demora-se no ar.Cai com graça e orgulho.Mas cai.As suas muitas cores vão de encontro ao chão.Não vai chorar, a bandeira não vai chorar.Mas dentro de casa um rapaz chora.Adolescente talvez? Pré-adulto?Começa a irradiar luz.Luz de várias cores.O homem, seu pai, esbofeteia-o.A mãe olha o seu filho com ar reprovador.A luz multi-colorida apenas aumenta.O homem começa a colocar tábuas nas janelas.Fá-lo com força,Prega as tábuas à parede com violência.O poste com a bandeira volta ao seu lugar,Quase como se por magia.Várias pessoas olham para a casa através das suas janelas.Olham para a bandeira.Procurando algo para coscuvilhar.Encolhem os ombros e voltam para dentro, desiludidas.Nada de anormal viram enquanto olhavam para a rua.
Num mundo perfeito, o fim do texto faria sentido.Num mundo perfeito, o início seria idiota e estranho.Mas este não é um mundo perfeito.Portanto o início do texto faz todo o sentido.E o fim é idílico.Infelizmente.
Carlos André da Palma AlvesPrejudice, not being founded on reason, cannot be removed by argument.Samuel Johnson (famoso escritor e biógrafo inglês. 18 de Setembro de 1709 – 13 de Dezembro de 1784.)
{ January 28, 2008 @ 8:28 pm }
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Começo a sentir saudades.
Dos cigarros que não fumei.
Dos copos que não bebi.
Dos sorrisos que neguei a alguém.
De pequenos actos bondosos que teriam ajudado alguém.
Sinto a velocidade do carro aumentar.
Encurtando uma viagem que acaba sempre cedo demais.
Carlos André da Palma Alves
{ January 26, 2008 @ 12:12 pm }
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{ Emotions: Outside(not mine), Relationships: Love }
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Lembro-me dos dias perfeitos e calmos.
Um turbilhão de felicidade que me deixava sem palavras.
Lembro-me tão bem.
Tudo mudou agora.
Tento lembrar-me do que éramos.
Mas não passa de uma memória toldada pelo presente.
Pelo horrível e angustiante presente.
A voz falha-me.
E as mãos tremem.
Tento esconder isso,
Entre desabafos com amigos.
Está tudo mudado.
Está tudo diferente.
Está tudo… sem interesse…
Vejo cacos de vidro no chão.
Talvez cola os possa salvar?
Amanhã saberei.
Porque há momentos em que odiamos quem faz mal a quem adoramos.
Porque gostaríamos de impedir os outros de sofrer,
Em assuntos que não nos dizem respeito.
E nos quais apenas mal poderia nascer, se decídissemos intervir.
Falar, sentir e ajudar alguém empalidece em comparação com o que queríamos fazer.
Carlos André da Palma Alves
{ January 23, 2008 @ 1:00 pm }
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A gloomy mood was creeping into the living room. On the couch laid Mr. Jones, a man whose hair had the colour of salt and pepper and who was drinking from a beer can. There was a cushion on the floor, seating on it was Lara, a young girl with perhaps 4 years (could she be 5?). She had blonde hair and an angelic look that all childs have. She was grabbing a brown teddy bear which looked rather happy in her arms.
Lara was trying to ascertain the species of the dinossaur she was looking at, it looked agressive and mean (perhaps a T-Rex?), failing do to that, she asked her mother, who was reading a book next to her, to help her. “That’s an allosaurus” said her mother, smurking. “That’s right!” thought Lara, tomorrow she would show the magazine in which was the dinossaur to her friend Sarah and tell her everything about it. She had always liked to pass on knowledge.
Mrs. Jones continued reading, Mr. Jones continued drinking and shouting whenever one of the footballers would miss a chance to score. Lara continued learning about dinossaurs and the teddy bear remained silent and still.
Then, things just went wrong.
Lara was now playing with her dolls, Mrs. Jones was still reading, the teddy bear was quiet and Mr. Jones was drinking, but this time, he was drinking from a different can. He yelled, insulting the coach’s family up to his great grandmother, a remarkable feat since he didn’t knew the coach or his family. Mrs. Jones told her husband to settle down, saying he was making an awfull quantity of noise, doubtlessly worrying about what would the neighbours think. He replied, asking her to shut up. Mr. and Mrs. Jones argued, saying things they didn’t meant, thinking things they didn’t felt.
Things got out of control, Mr. Jones grabbed one of the small decorative chests that were on the table and throwed it in Mrs. Jone’s direction. But she wasn’t the only one in range, Lara was trying hard not to listen to the grown-ups and she was talking to Bibblo, for that was the name of the teddy bear. The chest hit her with a dull sound, she never saw it coming. Bibblo fell, as the strength of Lara’s grip diminished. He hit the floor at the exact same moment Lara did.
A short-story by
Carlos André da Palma Alves
{ January 22, 2008 @ 9:14 pm }
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Uma máquina de escrever.Alguém escreve.O barulho seco das teclas a serem premidas e o barulho característico da máquina faz-se ouvir.Torna-se mais rápido.Pausa.Mais teclar.A máquina voa.E cai, despedaçando-se.Mudas a cor das paredes.Mudas a disposição dos móveis.Arrancas as carpetes.Trocas os cortinados.A casa fica irreconhecível.Mas mesmo assim, não conseguiste eliminar o que querias.Não consegues fazer com que a casa deixe de se parecer com o que te lembras.Não consegues impedir-te de olhar para a sala e pensar.Ver o que se passou.Ouvir, por momentos as palavras que disseste.E as que te disseram.Quase que podes viver a mesma situação outra vez.Como se nada tivesse mudado.Mudaste tudo na casa, para nada.As memórias estão lá.Tu estás lá.Por mais que mudes as coisas,Por mais que te mudes,Por mais que tudo mude,Continuas a vê-lo.Continuas a ouvi-lo.E continuas ouvir a máquina de escrever.E a ver as palavras que escreveste.Mesmo apesar de a máquina estar reduzida a pedaços, no chão.Carlos André da Palma Alves
{ January 18, 2008 @ 8:17 pm }
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Não sei porque o fiz.
Ainda hoje, passado tanto tempo.
Fi-lo, não há volta a dar.
Nada o traria de volta.
Foi-me dada uma segunda hipótese.
E redimi-me.
Dei o meu melhor.
Pelo menos, acabei algo bem.
É certo, queria mais.
Mas por vezes,
É melhor parar, guardar o que já temos.
Antes que derrubemos tudo o que alcánçamos.
Antes de a inútil palavra “desculpa” assomar aos lábios.
Palavras e acções nada fazem, nada remedeiam.
Nada apagam. Nada perdoam.
Apenas fazem com que nos sintamos melhor.
O que é o objectivo, de certa maneira.
Carlos André da Palma Alves
{ January 18, 2008 @ 8:13 pm }
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{ Emotions: Inside (mine), Emotions: Outside(not mine), Relationships: Friendship, Relationships: Love }
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Não custou tanto como esperava que custasse.
Pensava que ia ficar agarrado ás páginas, ansiando por mais.
Mas não.
Passou depressa.
E com isto, chegou ao fim a nossa história.
E não foi uma má história.
Apenas… desencontrada.
No fim das páginas, paz.
A tensão, o anseio, acabaram.
Paz…
Finalmente.
Carlos André da Palma Alves
{ January 12, 2008 @ 2:56 pm }
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O quarto é frio e escuro.
Há uma lâmpada no tecto.
Tu.
Lembras as luzes dos filmes de terror,
Apagam. Acendem. Apagam. Acendem.
Ninguém pode prever quanto tempo ficará acesa.
Nem quanto tempo durará a escuridão.
Acendes quando quiseres.
Não posso expressar o quanto temo a escuridão.
O frio.
E a alegria estúpida que sinto quando te decides acender.
Mas ás vezes aqueces demais, ou não te acendes de todo.
Por capricho?
Puxei o interruptor para baixo.
Prefiro ter as minhas outras luzes,
Menos fortes, mais pequenas.
Mas não se apagam.
Nunca.
Carlos André da Palma Alves
{ January 9, 2008 @ 8:30 pm }
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{ Emotions: Inside (mine), Emotions: Outside(not mine), Relationships: Love }
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Suores frios escorrem pela cabeça do Homem.
Tenta controlar-se.
Tenta dominar as suas emoções.
Luta para reprimir o seu instinto,
Que lhe diz para fugir.
O Homem não o fará.
Escolhe os fios cautelosamente.
Anos de estudo dizem-lhe qual escolher.
E mesmo que não os tivesse,
Escolhe-se sempre o fio vermelho.
O seu alicate movimenta-se.
Certo na sua decisão.
Pressiona as suas pontas.
O fio é cortado em dois.
O Homem é coberto pela explosão,
Assim como a sala.
As janelas voam em mil estilhaços.
As ondas de choque propagam-se.
O estrondo ouve-se a quilómetros de distância.
Foi assim que o que quer que eu sentia morreu,
Ás tuas mãos.
Carlos André da Palma Alves
{ January 7, 2008 @ 2:14 pm }
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Só mais uma.
Tenho a certeza que aguentará.
(A verdade é que não aguentará)
As falhas começam logo na primeira carta.
Como pode alguma coisa crescer se está podre desde o ínicio?
Está tão bonito.
Só mais uma não fará mal, só bem.
(Idiota…)
Porque não te contentas com o que tens?
Para quê querer mais?
(Só mais uma.)
Se ruir, ruímos também.
Queres apostar isso?
Já não está alto o suficiente?
O chão parece tão distante visto cá de cima.
A mão desloca-se com uma carta presa sem força. Mete a carta no topo do castelo e o homem retém a respiração.
Meteste uma a mais.
And it all comes crashing down…
Carlos André da Palma Alves
{ January 2, 2008 @ 7:30 pm }
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{ Emotions: Inside (mine), Emotions: Outside(not mine), Relationships: Love }
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É um restaurante acolhedor, bem decorado.
Copos voam e explodem.
As luzes falham, algumas apagam-se definitivamente.
Numa mesa para dois estamos tu e eu.
Apenas tu estás a falar.
Apenas oiço “podia ser” e “talvez se”
Não posso deixar de reparar no cheiro.
Acompanha-nos há alguns dias.
Olho para debaixo da mesa,
E lá está ele.
O corpo.
Feito de muita parte de mim e alguma parte de ti.
Uma parede desaba.
Tu não notas.
Não pareces reparar na destruição que está a acontecer.
Não reparas no cheiro a morte.
Nem na maneira como os meus olhos estão tristes.
Os mundos acabam: o mundo fora do nosso mundo e o nosso mundo.
Tu bebes um gole de vinho.
Dizes – Amo-te imenso, estás a gostar do jantar?
Carlos André da Palma Alves