Archive for December, 2007

Going Cold Turkey

Acordei.
Estava escuro como é normal.
Não. Mais escuro do que era normal.
Acordei.
Estavas ao pé de mim.
Começaste a correr.
Para tão longe.
E eu corri também.
Vi-te, parado mais á frente.
Estavas virado para mim.
Começei a correr na tua direcção.
Levantei a minha mão,
Estava preparado para te tocar.
Tudo estava 3 vezes mais rápido.
E quando a minha mão se aproximou,
Entrou tudo em câmara lenta.
E fugiste.
Como eu estava viciado.
Como eu precisava de ti.
Os vícios são excelentes, dão-nos um motivo e um significado.
São agradáveis, orgásmicos.
Até ao momento em que começam a magoar.
Pode-se largar um vício de forma abrupta.
Dizer: nunca mais.
Em vez de o largar de forma gradual, controlada.
E ás vezes, é o vício que nos larga a nós.
De forma abrupta.
Deixando-nos vazios, insignificantes.

Carlos André da Palma Alves

Shuffle music game

RULES:
1. Put your music player on shuffle.
2. Press forward for each question.
3. Use the song title as the answer to the question even if it doesn’t make sense. NO CHEATING!
4. Tag 5 people.
5. Bold the questions and with the answers, give your own comments on how it relates to the questions. (I don’t know how..)

As for the tags, if you like this game, just tag yourself like there’s no tomorrow.

How are you feeling today?
You’re Not Alone – Final Fantasy IX Piano Collection
[Of course i'm not alone! I've spent my day in malls with friends so OF COURSE I'M NOT ALONE!!!]

Will you get far in life?
Smokers Outside The Hospital Doors – Editors
[Well... guess not. *fear*]

How do your friends see you?
Requiem – Wolfgang Amadeus Mozart
[This must mean they wish me dead... I SHALL HAVE MY REVENGE!]

Will you get married?
Life Wasted – Pearl Jam
[HAHAHAH Thanks! Getting married is a waste. A real one.]

What is your best friend’s theme song?
Jacqueline – Franz Ferdinand
[Hum, the title doens't make any sense at all but the chorus of this (great) song goes like this: "It's always better on holiday." So I guess it's appropriate.]

What is the story of your life?
Ain’t No Sunshine – Lighthouse Family
[I'm getting somewhat depressed? I'm not!]

What was high school like?
I Remember Nothing – Joy Division
[HAHAHAHAHAH Quite true indeed.]

How can you get ahead in life?
Deep Honey- Goldfrapp
[Oh god... My iTunes is so naughty.]

What is the best thing about your friends?
Angel – Massive Attack
[Well, they are angels, in a way.]

What is in store for this weekend?
Fire – The Prodigy
[Will I start one or will my house burn to ashes? Or maybe both. I wonder... (either way it's bad)]

To describe your grandparents?
How High – Madonna
[LOL Checks out, they were some major junkies. (joking)]

How is your life going?
Mama, I’m a Big Girl Now – Hairspray OST
[HAHAHAHAHHAAH Well, I don't know what to comment here.]

What song will they play at your funeral?
Devil & the Deep Dark Ocean – Nightwish
[I don't want Nightwish to play at my funeral! I want Madonna!!!!! (and i'm sure she will outlive me)]

How does the world see you?
North American Scum – LCD Soundsystem
[I'm European! And the world loves me ... a lot...]

Will you have a happy life?
Old Yellow Bricks – Arctic Monkeys
[*cries*]

What do your friends really think of you?
Touch Me – Supreme Beings Of Leisure
[UHUHUHUHU, YEAH BABY YEAH!]

Do people secretly lust after you?
Speeding Cars – Imogen Heap
[*cries rather desperatly*]

How can I make myself happy?
Something I Can Never Have – Nine Inch Nails
[HAHAHAHHA I certainly hope not...]

What should you do with your life?
Old Town – The Corrs
[Err... Don't know what to say here.]

Will you ever have children?
My Friends – Silence 4
[HAHAHAHHA, my friends will?]

Blindness

Está vento.
Está vento e o vento levanta areia.
Enterras-te nela como se ninguém te desse alternativa.
Abres os olhos, o mais que podes.
Assim a areia pode-te cegar com mais facilidade,
Tapa-te a vista a tudo o que é importante.
Com areia nos olhos podes fingir que não compreendes.
Podes alegar uma qualquer desculpa.
A culpa não será tua.
Será minha.
A culpa morre solteira.
É pena.
Gostava tanto que não abrisses os olhos,
Ou melhor, gostava que os abrisses mas que te protegesses da areia.
És tu que a fazes, és tu que a abraças e amas.
Acabarás sozinho no teu mundo, cheio de areia.
Eu estarei longe, há coisas que não aceito.
Estarei ao alcance de um toque e de uma palavra,
Mas demasiado longe de ti.
Qando esse momento chegar,
Terei pena.
E nunca compreenderei.
E sem compreensão,
O que resta?

 Carlos André da Palma Alves

The Death Of A Star

Chegou o momento.
É agora a altura de dizer basta.
Esperei um pouco mais,
Quase como se esperasse que pudesses parar.
Esperava-o, efectivamente.
Digo-o com total certeza:
A culpa é tua.
Afasto-me devido a ti.
Desprezo-te devido ás tuas acções.
Não te reconheço nas tuas palavras.
Se é que te conheci.
A grande maioria das estrelas morre e desaparece.
E chegou a tua altura de o fazer.
Há outras estrelas no céu.
Muitas até.
Ao menos foi silencioso, até agora.
Mas nenhuma estrela morre sem um bang.

Carlos André da Palma Alves

Enough Is Enough!

Acredito que tudo no mundo tem limites.
No mundo das relações, matéria principal deste blog, esses limites existem verdadeiramente.
É um facto que a maioria das pessoas magoa alguém.
Eu perdoo sempre. Sempre.
A primeira vez evidentemente.
Quando alguém magoa alguém pelo mesmo motivo e pela mesma maneira,
A pessoa magoada é simplesmente idiota.
Tem de saber onde e quando alertar o outro.
Ninguém anda no mundo para levar pancada verbal de ninguém.
Mais ainda das pessoas que consideramos amigas.
Há pessoas que levam com cada golpe mas toleram-nos.
Golpes que destroíem corações e amizades, relações e amores.
Mas calam-se.
E perdoam.
Infelizmente, eu não sou Jesus Cristo,
Não levo e viro a cara para mais uma.
Eu levo. Uma vez.
Á segunda vez, toda e qualquer relação com a pessoa morre ali.
Há que saber quando dizer Basta!

Carlos André da Palma Alves

Expectations

Não te lembras do que eras?
Nem eu.
Perdemos tanto…
Todos sonhamos com o melhor.
Nunca ninguém pensa que quando crescer, vai ter uma vida normal.
Toda a gente pensa que vai ter uma vida excelente, com significado, será alguém importante.
Todos acreditamos que após nos apaixonarmos, depressa estaremos numa relação onde amamos e somos amados.
Metemos a mão no fogo pelas atitudes dos nossos amigos, sabemos que quando precisarmos eles estarão lá. Tal como nós estivemos para eles.
Temos fé inabalável nas nossas esperanças, sabemos que se vão realizar, dê por onde der.
Todos temos expectativas e esperanças para tudo e para todos.
Mas depressa aprendemos que nem sempre paixão significa relação. Nem sempre o facto de sermos bons para alguém significa que esse alguém será bom para nós.
Nesse momento, sentimo-nos traídos, roubados.
As nossas expectativas eram assim tão inalcançáveis?
Há apenas coisas que se têm de aprender vezes sem conta.
E uma delas é o facto de não se poder esperar que alguém sinta o mesmo que nós sentimos.
As expectativas não passam de uma possibilidade:
O que poderá ser,
E o que poderia ter sido.
E vamos perdendo um pouco de nós mesmos sempre que alguém destrói as nossas expectativas.
A cada dia que aconteçe, uma pequeníssima morte.
Brindemos então:
A tudo o que podíamos ter sido.
Tudo o que podíamos ter feito; dito; sentido; evitado; amado.
Tantos possíveis futuros,
Requiescat in pace.
Não importa com o que se começa.
Acaba-se sempre com tão menos…

Carlos André da Palma Alves 

The First Cut Was The Deepest / Lines In The Sand

Estão empilhadas num monte.
Algumas jazem no chão.
As que já li.
Amachucadas como se alguém as tivesse apertado com ódio.
Odeio-as.
Desprezo-as.
Mas tenho de as ler.
São o que me define.
O que define a minha espécie.
São elas que definem o que fui, o que sou.
De repente leio uma em particular.
Leio e olho lá para fora.
São iguais.
Temo tanto que o fim da carta seja igual ao fim da realidade.
Penso que não conseguia aguentar tudo aquilo outra vez.
E ainda vou a tempo de mudar tudo.
O Passado está escrito em pedra.
O Futuro não.
Mas temo que o Passado se repita.

Odeio-te em parte.
Uma pequeníssima parte.
Odeio e adoro sentir-me assim.
Sinto-me tão vulnerável.
Dependente.
Exposto.
Odeio sentir-me assim.
Penso sempre que alguém vulnerável é alguém a pedir dor.
É o que acontece sempre que estou assim, mais cedo ou mais tarde.
No entanto, sempre é uma mudança no meu eu.
Sempre deixo a frieza de parte.
E torno-me uma criatura digna de vómito devido a tanta doçura.
Sonho acho eu, o mais provável é que imagine enquanto sonho.
Mas odeio sentir os meus limites violados.
Odeio sentir que alguém se está a aproximar demasiado.
A ter todo o poder nas suas mãos.
Deixando-me á mercê das suas acções.
Eu sonho. Imagino. Desejo. Espero. Sou Feliz.
Infelizmente, a questão mais pertinente é:
Por quanto tempo?
Quanto mais durará o sonho?

Carlos André da Palma Alves

Supermarket friendship

Tens as compras no carrinho.
E circulas pelo supermercado sem qualquer rumo.
Assim será para sempre.
E é assim para todos.
Toda a gente tem carrinhos.
E toda a gente tem compras.
Na tua lista ordenas a sua prioridade.
Sobem e descem a teu bel-prazer.
E mesmo os ovos que tanto gostas,
E que tanto gostam de ti descem na lista.
E de repente, sobe o leite.
Não é tão bom quanto os ovos.
Mas bebes o leite há tanto tempo,
Pensas que é isso que ordena a lista.
Os ovos deram-te provas.
O leite também as deu.
Mas os ovos pensam que talvez sejam melhores que o leite.
E os ovos têm uma capacidade interessante:
Eles sabem como saltar para fora do carrinho,
Sabem encontrar um cliente que lhes dê o devido valor.
Pobres ovos, pobre leite e pobre cliente.
Todos somos, ao mesmo tempo ovos; leite e cliente.
Mas aqui, neste texto, apenas os ovos interessam.
Apenas eu interesso neste texto.
O cliente e o leite que se fodam.

Carlos André da Palma Alves