Archive for November, 2007

Count me out

Ás vezes és só tu.
Contra o mundo ou contra ti mesmo.
Muitas das vezes és só tu.
Num turbilhão de dor, de tristeza.
E estás sozinho com esse turbilhão a rodear-te.
A sufocar-te.
Aí só tens de acreditar numa coisa.
Só podes esperar uma coisa:
Somebody’s gonna make it right.

Carlos André da Palma Alves

Our very own Deus Ex Machina

Os dias passam e eu sinto falta.
Queria mesmo estar contigo.
Sem qualquer tipo de intenções.
Apenas estar contigo.
Falar contigo.
Ouvir-te falar.
Estar perto de ti.
Gostava de saber o que pensas.
E como não seria bom jogarmos ao telefone estragado, eu espero.
Espero que um dia me digas o que pensaste quando leste o texto.
Não que espere qualquer coisa de ti.
Gostava de acreditar que pudesse aconteçer.
Mas sinto que é melhor ser só eu.
Eu não sinto grande prazer em sofrer.
E muito menos vindo de ti.
Portanto queria estar contigo.
Como dois amigos estão.
E sentir-te perto de mim.
Esse seria o meu Deus Ex Machina
Pelo menos até nos despedirmos.
Aí já estaria á espera da próxima vez em que te irei ver.
E espero por um Deus Ex Machina de outro tipo.
Do género: um toque na mão.
Resolveria muita coisa.
E daí talvez não.
Acho que o mundo vive á espera que venha sempre um Deus Ex Machina.
Esperança… essa semente horrível da mente humana.


O Dia Mais Longo- Mafalda Veiga e João Pedro Pais

Hoje é o dia de todos os dias.
Hoje é o dia mais longo das nossas vidas.
Põe o teu corpo, bem junto do meu.
Uma voz escondida disse eu, sou eu!

Cuida de mim, traz-me aconchego, tenho frio.
Quero sair, leva-me p´ra um lugar, que nunca ninguém
viu.
Depois será tarde, p´ra sempre mais tarde.
Ontem já não conta, já está esquecido.

Pedes-me o céu, respiro o teu ar.
Desejas meu beijo, faz-me voar.

Depois já cansados, parecemos ausentes.
Dividimos sonhos, seremos diferentes.
Na cidade fantasma libertamos correntes.
Podemos morrer de pé e de frente…

Carlos André da Palma Alves

What would be of sweetness if there was no bitterness?

És sem dúvida o dia. Um dia de Inverno, sem chuva nem nuvens, com um sol que pouco aquece mas um dia ainda assim. E o que os dias de Inverno têm de bom é o facto de nos podermos aqueçer com mais roupa. E a sensação de conforto é incomparável. Obviamente sou a noite. Novamente, uma noite de Inverno. Sem nuvens nem chuva e com uma lua cheia. Mais tarde dirão que éramos de mundos diferentes, com objectivos diferentes, visões diferentes, maneiras diferentes, sensibilidades diferentes. Eles saberão mais que eu, eu apenas sei o que me foi dado a conheçer e esse conhecimento não me deixa dizer nada sobre o futuro. Nada.
Não nos encontramos senão em pequenas coisas, pequenos detalhes, pequenos tempos. E no entanto, quero encontrar-me em mais. Quero ser mais. Quero mais.
És dia e sou noite. Gostavas de encontrar um dia e eu gostava de encontrar uma noite. Pela minha parte, já nem sei. Temo sentir qualquer coisa, temo querer qualquer coisa, temo gostar de qualquer coisa, temo temer. É a diferença que me afasta, que me abranda, que me diz não. Mas depois lembro-me do crepúsculo, lembro-me que nem tudo tem de ser dia ou noite, branco ou preto, isto ou aquilo. Lembro-me que até a noite e o dia se encontram, durante escassos momentos, mas encontram-se. Isto dá-me alegria e tristeza.
Quão grande seria o nosso crepúsculo? Quanto tempo demoraria até a noite se fartar do dia? Até o dia se fartar da noite? Quanto tempo duraria até um vil eclipse se intrometer entre o frágil e facilmente abalável equilíbrio entre a noite e o dia? E o que seria de mim depois?  O que seria de ti depois? O que seria de nós depois?
Infelizmente, ao quando me lembro do crepúsculo, da dicotomia entre o dia e a noite, da diferença entre nós, lembro-me também de mais duas coisas: lembro-me amargamente de um dia, um dia em que atrasei todo um processo, um dia em que talvez tenha perdido uma hipótese. Lembro-me também de algumas recentes palavras tuas, como definiste a nossa relação. Dizer que doeu é dizer muito, e pouco.
Sendo orgulhoso da minha racionalidade e frieza perante tais assuntos, rio-me do quão criança me sinto, do quão impotente me sinto, e rio-me do medo que sinto. Passaria rápido? A desilusão e a dor? Será que sentiria alguma coisa? Não sei, e quero saber da mesma maneira que não quero saber. Sentirei realmente isto? Ou não passará do produto de uma mente demasiado ansiosa, que constrói cenários e possibilidades só porque pode?
Imagino-te a ler isto, sorrio, penso que vás dizer algo como será que é sobre mim? Será que percebi mal? E rio-me, rio-me a bom rir na conversa que inevitavelmente teremos sobre este texto. Por mim, não haveria qualquer conversa. Não há necessidade. Sei que apenas encontraria dor, portanto espero que essa conversa não me encontre.
De facto, temos uma relação peculiar, quase como se estivéssemos sempre a tentar empurrar o outro para longe, dizendo coisas que sabemos ser más, mas que somos impelidos a dizer e cada má resposta que me dás é sentida duas vezes, sinto a amargura nas palavras e sinto a doçura, sabendo que não poderia ser de outra maneira.

Ultimamente tem estado frio.
(Mesmo muito frio)
E não obstante os problemas que sempre aparecem,
Mais um pensa que será benvindo.
Mas não será.
(Mas talvez ele encontre compreensão)

Orgulho e tristeza.
Idiota e desnecessário orgulho.
(Como as decisões passadas são odiadas!)
Está mesmo muito frio.
E estou debaixo de lençóis que pouco aquecem.
(Talvez a tua imagem?)

Durmo.
Sem realmente chegar a dormir.
Metade de mim dorme.
E a outra metade vagueia.
(Ou será um sonho? Mais um)

Choro.
Não por tudo.
Não por este texto.
Nem por ti.
Nem por mim.
O motivo do meu chorar?

Para ti isto pode não ser nada.
Até pode passar-te ao lado.
Talvez sintas vontade de me confortar.
Aliviando a dor de dizer não, dizendo talvez se.
(Não o faças!)
O problema,
É que para ti não é nada.
Mas é tanto para mim…

Starlight

Nesta noite ninguém dorme.
Dois amantes agarram-se, tentando aquecer-se.
Esperando que ao se agararrem, o seu amor fique firmado e afirmado.
Nesta noite ninguém dorme.
Está frio, um frio que poucos aguentam.
E a noite está sem estrelas.
Apenas uma, tímida e vaga se nota na escuridão.
Essa estrela permanece um farol de esperança.
Os amantes temem o amanhã.
Preocupam-se com as opções que cada um tomará.
Temem a linha de ideias que o seu corpo tem em mente.
Desesperam por nada poderem fazer quanto a isso.
Sim, nesta noite ninguém dorme.
E quem não está na cama, está a rezar.
Não a um deus em particular, mas á estrela.
Dizendo: que ele fique.
A estrela ri-se e responde: porque haveria ele de partir?
Pobre estrela, pouco sabe ela das acções humanas, que destroem tudo o que havia de bom, por capricho e estupidez.
Mas talvez ela seja generosa, e dê o que não compreende aos dois amantes.
E talvez, também ela reze para que outra estrela se junte a ela, e a faça compreender.

Where Is The Line?

Penso que é natural ficar-se assustado. É um imperativo psicológico, de sobrevivência, preservação da espécie.
Toda e qualquer situação que nos ponha em perigo desperta alarmes para nos mantermos á distância.
Então porque não me sinto assustado?
Porque não temo a resposta?
Gosto de riscos. Adoro riscos.
Perante as situações mais perigosas eu sorrio.
Em parte porque sou mais irresponsável do que uma criança de 2 anos,
E em parte porque não dou assim tanto valor á minha vida.
Apenas acho esta experiência simplesmente nova.
É uma novidade, interessante, perigosa.
Tenho quem se preocupe por mim.
Custa ver os seus olhares temerosos.
Mas ainda assim, sorrio pela minha própria estupidez.
Qualquer que seja o resultado, sei que me vai mudar profundamente.
Evitar uma bala ou levar com ela, muda-nos sempre.
Mas sei que tenho onde me refugiar: em quem se preocupa.
Mesmo que não falemos sobre isso (nem eu quero).
Pelo menos sei que se preocupam.

When I get lost in space
I can return to this place
‘Cause you’re the one

I’m not religious
But I feel so moved
I’m not religious
Makes me wanna pray
I’m not religious
But I feel so moved
I’m not religious
Makes me want to pray

Nothing fails
No more fears
Nothing fails
You washed away my tears
Nothing fails
No more fears
Nothing fails

Nothing Fails- Madonna 

In the blink of an eye everything could change
Say hello to your life, now you’re living
This is it from now on
It’s a brand new day
It was time to wake up from this dream [from this dream]

I know the road looks lonely
But thats just satan’s game
And either way my baby
You’ll never be the same
  

Intervention- Madonna

A Midwinter Night’s Dream

Agarra a chávena de chocolate quente.
Pelo menos sempre fazes qualquer coisa.
E escondes ao mundo a tua falta de ocupação.
Pegas na chávena com demasiada força.
Vê-se que é das poucas coisas que ainda podes fazer.
Tentas roubar-lhe algum do calor que ela transmite.
Embora não queiras aquecer o corpo.
Queres aquecer a alma.
Alma essa que de tão fria, até já pode estar morta.
As noites de Inverno são as piores para ti.
Estão todos ainda mais frios, ainda mais despreocupados.
Porque haveriam eles de te falar?
Portanto agarras a chávena.
Fazes dela um objectivo.
Pelo menos enquanto ela durar.
Mas uma chávena não dura para sempre.
E se exerceres demasiada pressão, parte-se.

Gostava de poder escrever aqui o que sinto.  Gostava de dizer quatro palavras e distribuir compreensão. Gostava de não ter de dizer essas palavras sem medo. Medo de torná-las uma realidade que já existe. Gostava de dizer qualquer coisa e alguém compreender, finalmente, as minhas razões. Gostava que os meus silêncios ficassem esclarecidos. Gostava que talvez amigos pudessem perceber porquê e talvez assim falaríamos. Gostava de chorar. Gostava de dizer quanto medo tenho. Gostava de dar a compreender o quão assustado estou. Gostava de compreender o que aconteceu. Gostava de compreender o que pode acontecer. Gostava de falar com alguém, sem medo do julgamento, mesmo sabendo que receberia todo o afecto e amizade possíveis. Gostava de ser mais forte. Gostava de acabar com a espera. Gostava de acabar com a angústia. Gostava de parar de omitir a verdade. Gostava não ter de mentir a quem mais gosto, fingindo que está tudo bem. Gostava de não chorar e desviar a cara, escondendo-me em silêncio. Gostava de mudar o passado. Gostava de saber o futuro, se não pudesse mudar o passado. Acima de tudo, gostava tanto de ter pensado e ter sido racional. Mas não fui, e por isso, eu gostava…

Moments

Era uma manhã como todas as outras manhãs.
Nada indicava alguma coisa diferente.
Estava tudo absolutamente igual.
Mas havia um sentimento tangível no ar.
Possibilidade.
Havia um sentimento de possibilidade.

Estava de pé no alpendre.
Senti a sugestão de um toque.
Meteste as mãos nos meus ombros e abraçaste-me
E nesta mais banal das manhãs, disseste:
Sinto-me vivo.
Neste momento, sinto-me vivo.
E este momento é tudo o que importa.
Nunca irei pensar que podia ter feito mais, dito mais, sentido mais.
Aproveitei este momento, foi das poucas vezes em que me senti verdadeiramente feliz.