Archive for October, 2007

Do you have new views on the subject?

Disseram-me um dia que ela era alguém peculiar.
Que tinha um feitio especial.
Atitudes estranhas aos olhos alheios.
Visões algo únicas.
Concordei na altura.
Agora percebo,
Que ela era apenas idiota.
Não se pode pedir a alguém que seja normal.
Nem que tente aceitar críticas.
Nem que reprima atitudes odiáveis.
Pelo menos sei agora, ela era simplesmente estúpida.
Vale também para ele.
E eles, elas.
Para todos.
Tornam-se alegres, adoráveis.
Verdadeiros ídolos.

There’s no need to keep breathing

Tanto sangue envolto na névoa do pânico.
Que irei fazer? O que posso eu fazer?
O corpo jaz ali, inerte e tornando-se frio.
Sozinho, não o consigo esconder.
Agarro o telemóvel com força.
A quem irei ligar?
Nomes e nomes rolam pelo visor.
Um ou outro me desperta a atenção.
Deixo-o cair.
E fujo…

What if tomorrow never comes?

Não é uma sensação normal. Quase claustrofóbica.
Estou num corredor. Qualquer corredor.
Há vidros no chão. E eles sabem que há uma pessoa ali.
Eles são naturalmente afiados. Quase demasiado afiados.
Sabem que estou ali. Querem que esteja ali.
Pedem-me que lhes toque. Mas não devo.
Sei que me irão magoar. Certeza inabalável.
Mas irão mesmo? Tenta.
Querem perfurar a minha carne. Desejo.
Posso simplesmente passar por cima deles. E queres isso?
Mas talvez os possa colar, para voltarem á sua forma. HAHAHAHAH
Lembrar-me-ei da sua anterior forma? Sim.
Eu sei que posso, sei que eles também.
Face a isso, decerto que não me irão magoar. Claro que não.
Dor. Sangue.

Please, take a step back.

Todos precisamos do nosso espaço.
Desenhamos a linha onde nem a pessoa mais íntima pode atravessar.
E quando alguém se aproxima entramos em pânico e reagimos com violência.
Essas tentativas de intrusão são o que pior pode acontecer.
Ter alguém tão mas tão perto…
Repelimos toda e qualquer aproximação.
Mas quando uma pessoa que nos é tudo se tenta aproximar,
Podemos realmente impedi-la?

The Truth

Gostava de ser mais sincero.
Gostava de não me impedir de dizer muitas coisas.
Ser sincero.
Brutalmente sincero.
Mas a verdade, seja ela qual for, magoa.
E se somos falsos, somos criticados.
Se somos sinceros, somos criticados.
E de mal a mal, talvez seja melhor ser criticado por ser sincero do que por ser falso.

The Risk

Gosto de arriscar.
Penso que a vida sem risco não é vida.
Vida é exagerar.
Viver no limite.
Chama-me estúpido.
Chama-me qualquer coisa.
Não é saudável.
Nem aconselhável.
Nem é nada.
Mas é meu, e só meu.
Que me interessa se vou morrer mais cedo?
É um risco.
Um que estou disposto a correr.
Os certos vivem mais e vivem menos.

The Certainty

Todos as temos.
Certezas sobre o que somos.
Factos tão inabaláveis que nem conseguimos pensar em algo que as contradiga.
Coisas que podemos dizer que serão sempre nossas.
Mas ás vezes, a vida dá voltas inamagináveis.
E damos por nós a fazer coisas que são o oposto do que éramos.
Mas que sabiam bem durante o acontecimento.
Mas que metem em causa tudo o que somos depois.
E ficamos a pensar em tudo o que pensamos que somos.
E percebemos que não somos nada do que pensávamos.
Apenas somos alguma coisa durante um pequeno período de tempo.