Archive for July, 2007

The Self-Destruction

É sufocante.
Como é que tantos aceitam este ar abafado?
Abafado e quente de uma vida que simplesmente é aborrecida.
O tédio sufoca a cada olhar, palavra, acto que faço.

Objectivos há sempre.
Mas objectividade dos objectivos…
Até na vida, subjectivamente vaga.
Vazia por vezes.

As escolhas estão lá.
Sempre prontas a nos dizer onde erramos.
Que talvez a outra opção fosse a mais correcta.
E que cometemos um grande erro.

E o arrependimento que se segue.
Mas não nos conseguimos arrepender de algo assim,
Não nos podemos arrepender quando não havia outra escolha.
Portanto sufoco.

Apenas passar por ela.
Não é isso que eu quero.
Não ser mais que um fantasma vendo coisas que não pode tocar.
E seria tão absurdamente fácil.

Ele está ali, convidativo.
E não posso dizer que haja estímulos para não ir.
Mas para ir há muitos, demasiados.
O facto é que já nada me prende.

Não aguento viver por padrões e objectivos que não os meus.
Desiludir outros quando não sinto que me desiludi.
Esperar que alguém se importe.
Esperar alguma coisa das pessoas que mais tinham de dar.

Não vejo outra alternativa.
Egoísmo?
Egoistas são os que querem que eu viva uma vida,
Que eu não quero viver.

Falta-me interesse.
Falta-me tanta coisa.
Talvez…sim.?
Sei que já estive mais longe.
Agora estou a pouca distância e a momentos.
Já estive mesmo mais longe de simplesmente desistir.

1- Dearest, I feel certain I am going mad again. I feel we can’t go through another of these terrible times again and I shan’t recover this time. I begin to hear voices and can’t concentrate. So I’m doing what seems to be the best thing to do. You have given me the greatest possible happiness. You have been in every way all that anyone could be. I know that I’m spoiling your life and without me you could work, and you will, I know. You see, I can’t even write this properly. What I want to say is that I owe all the happiness of my life to you. You have been entirely patient with me. And incredibly good. Everything is gone from me but the certainty of your goodness. I can’t go on spoiling your life any longer. I don’t think two people could have been happier than we have been.
2-Dear Leonard, to look life in the face, always to look life in the face and to know it for what it is. At last, to know it, to love it, for what it is and then to put it away. Leonard, always the years between us, always the years, always the love. Always the hours.
-       1-Suicide note of Virginia Woolf.  2-Possible ending of suicide note in The Hours (movie)

The Capital City

Qualquer vez sabe sempre a primeira vez.

Quem vem lá?
Todos se perguntam.
E todos querem estar mais altos que os outros.
Para melhor poderem ver quem vem.
E ao subirem, dão as boas vindas.

O sol dá-lhe uma beleza ainda maior.
E por muito que se tente abarcar a cidade com um só olhar, não se consegue.
Há demasiados detalhes.
Demasiados sítios para onde olhar.
Mas olhar calmamente é sempre a melhor solução.

Talvez o Cristo ficasse melhor na outra margem.
Pois quando se vai para lá, sentimos uma sensação avassaladora de felicidade.
Também medo, como estará desta vez?
E as ondas do Tejo lavam as nossas dores.
Passam e levam o sofrimento.

Já só a alegria resta.
Só a visão funciona.
Porque perante tão bela cidade, é impossível não sentirmos.
Cristalino Tejo que nos afaga.
Quente visão que nos envolve.

Qualquer vez sabe sempre a primeira vez.

The Meaningless Word

E é tão fácil pedir desculpa.

Podemos tentar ao menos?
Podemos sempre.
Mas ás vezes nem sempre querer é poder.

Gostava que tu dormisses.
Que por um momento desistisses dessa luta inglória.
Que por um momento fechasses os olhos.

Sonhar também é fácil.
Mas sonhar para pedir desculpa….
Quando não se consegue no mundo real…

Para também eu dormir finalmente.
Eu quero dormir.
Para poder sonhar.

É fácil pedir desculpa.
Mas nem sempre é fácil aceitar uma desculpa.
É complicado saber quem merece que se aceite.

Many that live deserve death. And some die that deserve life. Can you give it to them? Then be not too eager to deal out death in the name of justice, fearing for your own safety. Even the wise cannot see all ends.- J. R. R. Tolkien

The Survival Of The Fittest

Trata-se de uma questão de sobrevivência.
Quem comete os erros.
E quem se sabe mover dentro do seu complexo funcionamento.
A amizade é uma luta.

É uma questão de sobrevivência louca.
Nem sempre é fácil aguentar.
Um olhar basta.
Normalmente é uma palavra.

Uma palavra e tudo acabou.
É também uma questão de adaptação.
Pois a outra parte também tem de se adaptar á parte em questão.
E quando essa adaptação não é conseguida…

É uma questão de sobrevivência.
Quem consegue aguentar uma amizade sem cometer um erro grave.
Aguentar sem dizer uma palavra ou frase desnecessária?
E tu…
Tu cometeste um erro grave…

He removes the greatest ornament of friendship, who takes away from it respect. – Cicero

The Betrayal

Lá fora chove.
E eu queria estar lá fora.
Porque aqui dentro também chove.
Mas uma chuva diferente da que cai lá fora.

Inesperado, talvez.
Mas também muito esperado.
Ou pelo menos previsto.
Mas nunca acreditado.

Não te escondas atrás de uma cortina.
Eu vi-te mas não quis acreditar.
É dos piores sentimentos do mundo.
Parte o coração em pouco tempo.

Não é bom acreditar que…
Não.
Talvez ainda me reste um bocado de esperança.
Os loucos nunca acreditam.

Et tu, Brute? – Julius Caesar

The Runaway

Agarrámos a primeira escapatória.
Uma maneira de fugir.
O mundo estava contra nós.
E nós estávamos contra o mundo.

Agarrando-o entre o indicador e o do meio.
Aspirando tudo o que conseguirmos.
Por opção e gosto.
Vendo o fumo ser dissolvido no ar.

Rezamos que traga a morte.
Não demasiado cedo nem demasiado tardiamente.
O mundo é tão complicado quando temos penas.
Com brilhantes púrpura.

Sabemos bem o que nos pode acontecer.
Mas é esse mesmo o objectivo.
Eu apenas quero uma maneira de me abstrair.
E é isso mesmo que o fumo me dá.

Nothing is permanent in this wicked world— not even our troubles. – Charlie Chaplin

The Futile Existence

Enquanto não estamos a olhar.
Ele foge.
Quando desviamos os olhos devido a qualquer mundana razão.
Ele foge.

Temos os olhos mesmo em cima dele.
Levamo-lo para todo o lado.
E quantas vezes olhamos para ele?
Muitas. Demasiadas. E ás vezes tão poucas.

Quase como se estivesse a viajar pelo mundo.
Carregado no pulso.
Damos-lhe tanta importância.
E tão pouca também.

Tentativas patéticas para o prender.
Nostalgia.
Dor.
É irreversível.

Quando o tentamos encontrar,
Ele já não está.
Nunca o conseguiremos agarrar ou deter.
Porque ele voa.
E para onde ele vai,
Não volta.

Sed fugit interea fugit irreparabile tempus.- Virgil

The Unforeseen Demise

Talvez o céu esteja vermelho.
Se assim for, é uma moldura perfeita para a cidade em chamas.
Que viu o seu fim chegar cedo demais.
Também outras cidades ardem e caiem.

Largando ao vento as cinzas do que foi e nunca mais será.
Tudo o que de bom lá existia a servir de combustível.
E muito após as chamar se extinguirem, a memória arderá também.
Pois ninguém haverá para se lembrar.

Tão depressa, tão inesperado.
Ninguém pensou que poderia acontecer.
A razão não viu o que estava á frente dos olhos.
E a extinção foi a consequência.

Já ninguém se lembra.
Só as ruínas contam a história.
Ruínas negras mas ainda com alguma glória.
De que lhes serve a glória agora?

The River

Só quem a vê sabe o que se sente.
O sol está baixo agora.
Ilumina as paredes brancas com uma luz alaranjada.
E sentado, o Homem aprecia todo o espectáculo de luzes.

Música triste mantém acordado quem que lá nasceu.
O sol parece que se funde com a água, perto da torre.
Criando uma palete de cores,
Que fica para sempre eternizada na mente de quem viu o pôr do sol.

Só quem a vê sabe o que se sente.
Os vários montes estão repletos.
O Homem quer ver a cidade no seu máximo esplendor.
E sentir o cheiro peculiar da suave união da água e da cidade.

Enquanto não chega a noite, pássaros voam sobre a cidade.
Só eles a podem ver do alto.
E ver toda a sua extrema beleza.
Só quem a vê sabe o que se sente.