Ele pensou que seria um dia monótono.
Marcado e agendado pela já memorizada rotina.
Não passaria de mais um dia nos subúrbios.
E o dia começou como todos os outros dias.
Mas a rotina e os planos mudam.
Porquê? Ele não queria isto. Ele temia isto.
Não percebe o que se passa nem o que se passou.
Atordoado por tantos acontecimentos,
Fechou os olhos para rever as imagens que voavam na sua cabeça.
Viu muito passado, viu pouco presente, não viu futuro.
Recordou os momentos todos.
Numa amálgama de nostalgia que não parava de crescer.
Arrancado de volta á realidade,
Viu o seu mundo muito diferente do que se recordava.
Espaços em branco, ainda marcados pelo pó em que estavam assentes.
Cambaleou, estonteado com a força do que se passava.
Sentiu as pernas a tremer. Sabia que não aguentaria.
E o seu mundo foi despojado do conhecido.
Pensou no que perdeu, o tempo desperdiçado.
E olhou para o seu mundo.
Sentiu uma mão a esmagar o seu coração.
E doeu.
Espremeu-lhe a alegria deixando o vazio negro da tristeza.
E o frio toque da solidão.
Murmurando-lhe incessantemente o seu nome.
Sentiu-se sozinho como nunca antes.
Não a tinha a seu lado e não sabia lidar com isso.
Sabia que alguém a tinha a seu lado.
Olhou para as molduras partidas no chão.
Dolorosas em cada aspecto.
Ele andava pela rua.
Ninguém olhava para ele.
Como? Ele aparentava tristeza.
Como é que ninguém notava e o tentava confortar?
E ele sofria tanto.
O dia começou como todos os outros dias.
Mas a rotina e os planos mudam.
Descansa, sofre, pensa, revê, chora.
Mas tu simplesmente não podes impedir o que não conseguiste prever.