Archive for April, 2007

The Winter

Podes adormecer agora,
Embalado por um falso sentimento de segurança.
Com a calma a sentir-se no ar.
Com a fogueira acesa para dar calor.

Reparaste como o Inverno passou?
A memória do que se passou é esbatida.
Estás agarrado á Primavera, á cor e á alegria.
Bem diferentes do cinzento medo no Inverno.

Lembras-te quando o rio gelou?
Patinavas nele com um sorriso.
Até os sinos começarem a tocar.
Corremos para casa com o medo espelhado nos olhos.

Temíamos os montros que esperavam lá fora.
Estremecíamos a cada uivo que davam.
E ninguém se atrevia a sair.
O medo da morte era muito grande.

Quem quereria morrer sentindo os seus poderosos dentes,
A rasgar e arrancar a carne.
Podes adormeçer agora,
Embalado por um falso sentimento de segurança.

The Dark Clouds

Durante anos andei a fugir ao destino.
Não um destino já escrito.
Mas um acontecimento há muito premeditado.
Adiado devido ao medo e á dúvida.

O destino viu-me correr e fugir.
Não se preocupou em correr também.
Sabia que mais cedo ou mais tarde,
Me apanharia, não importava o quão rápido eu corria.

Apanhou-me e fez acontecer.
Mas descobri que não tinha que ter medo.
Nem tinha de correr.
Simplesmente aconteceu e acabou.

E o sentimento de liberdade…
De felicidade e paz.
Ainda bem que o destinho me apanhou.
Estava cansado de correr.

The Problems

Estão lá tantas!
Quando antes havia tão poucas.
Agora o caminho está cheio delas.
Quase não se vê um espaço livre.

Eu lembro-me de as cortar.
Mas parece que com cada uma que cortava,
Duas outras apareciam.
Estranho, no mínimo.

Negras e sujas.
Feias e complexas.
Assim eram aquelas ervas
Daninhas, por sinal.

Penso que sempre estiveram lá.
Apenas quando cortei uma.
Percebi que estavam lá muitas mais.
Passei a prestar mais atenção…

The Stranger

No topo do céu,
Onde as nuvens se esbatem.
Lá, onde só algumas aves voam
Eu estive lá.

No buraco mais fundo,
Esquecido por todos.
No chão mais baixo.
Eu estive lá.

Em ambos me debati.
Tentando decidir qual era o melhor.
Perto do paraíso.
Perto do real.

Ofereceste-me o céu.
Um paraíso feito por ti.
Mas não fora feito para mim.
Não pertençia lá, nem queria pertençer.

The Ties That Bind

É tão giro de se ver.
Os laços quase sempre invísiveis.
Que unem cada pessoa.
Tão complexos na sua simplicidade.

Admiro-me como nao se entrelaçam e enrolam.
Fazendo nós impossíveis de desatar.
Como se cada um estivesse ligado a outros.
Através de fios que nos ligam e aproximam.

Através das palavras que nos aproximam.
Dos gestos que nos encantam.
Das experiências em comum.
Da simpatia sentida reciprocamente.

Mesmo quando deixamos de nos falar.
Os laços permanecem.
Só não os apertamos para nos unirmos.
Mas as experiências… essas nunca serão esquecidas

Espelho

Tempo de pôr outra.
Qual das muitas que tenho?
Esta ou aquela?
Qual se adapta melhor?

Esta parece-me bem.
Fica bem e é gira.
Esconde disfarça.
Faz-me outra pessoa.

O espelho já viu muitas.
Dando sempre a sua opinião.
Demasiado feliz.
Demasiado quente.

Adapto-me a elas e elas mim.
Juntos, somos outra pessoa.
Diferente da original.
Com mais qualidades ou defeitos.

Juntamo-nos sempre com um propósito.
Mais que não seja para me proteger.
Ou para inflingir dano.
Quase sempre para me esconder.

Como era eu originalmente?
Antes de milhares de máscaras?
Que importa?
Meto uma e sou eu novamente.

Desperdiçado

Lembras-te de quando era primavera?
E tu corrias pelos campos, tocando na erva alta.
Agarravas uma flor e não a largavas durante o dia todo.
Naqueles velhos dias, antes de o céu ficar negro e a tempestade chegar.
O céu naqueles dias era bonito, azul e cheio de grandes e densas nuvens brancas.

Lembro-me de me dares a mão e olhares para o céu.
Fitavas a única estrela que se via no céu.
E olhavas para ela como se fosse a última coisa que restava,
De um mundo que era teu mas que tinha mudado.
Essa flor era um símbolo do que amavas e tinhas saudades.

Depois todo o teu mundo ruiu.
E com ele tudo o que tu gostavas, tudo o que amavas.
E eu fui obrigado a ver o teu lento mas forte declínio.
Definhaste devido ao pior dos motivos.
Até as trevas te absorverem.

Agora, anos volvidos não sei de ti.
Qual terá sido o teu destino?
Lembro-me quando temias os relógios.
Sempre a avançar no tempo, enquanto tu permanecias quieto.
Tinhas medo deles, por contarem os segundos que ainda tinhas.