Podes adormecer agora,
Embalado por um falso sentimento de segurança.
Com a calma a sentir-se no ar.
Com a fogueira acesa para dar calor.
Reparaste como o Inverno passou?
A memória do que se passou é esbatida.
Estás agarrado á Primavera, á cor e á alegria.
Bem diferentes do cinzento medo no Inverno.
Lembras-te quando o rio gelou?
Patinavas nele com um sorriso.
Até os sinos começarem a tocar.
Corremos para casa com o medo espelhado nos olhos.
Temíamos os montros que esperavam lá fora.
Estremecíamos a cada uivo que davam.
E ninguém se atrevia a sair.
O medo da morte era muito grande.
Quem quereria morrer sentindo os seus poderosos dentes,
A rasgar e arrancar a carne.
Podes adormeçer agora,
Embalado por um falso sentimento de segurança.
