
Situações. Pessoas. Emoções. Lugares. Vivências. Novidades. Culturas. Viagens. Estações. Filmes. Livros. Descobertas. Amores. Desilusões. Objectivos. Ódio. Vingança. Perguntas. Mágoas. Hipóteses. Promessas.
Cada uma destas palavras é um ingrediente para uma receita. Pode-se meter apenas um ingrediente e obter o que se quer ou juntar vários. Até todos se podem misturar.
A receita chama-se mudança.
As pessoas mudam, é um facto. Ninguém permanece igual durante uma grande quantidade de tempo como é a vida de um ser humano, somos alterados pela qualidade mutável que cada dia tem. Renaissance, uma palavra que soa bem mas cujo significado é a única coisa importante para este artigo.
Renascimento.
Acredito que as pessoas passam por uma mudança, em determinadas fases da sua vida. Já me aconteçeu isso há anos atrás, como um salto para a frente, uma mudança tão drástica que se pode chamar um novo nascimento. Aconteçeu outra vez, há relativamente pouco tempo e aconteçeu outra vez agora.Mudanças aconteçem tanto para o bem como para o mal, suscitadas tanto por coisas boas como más. Comparo esta mudança a uma música, começando alegre e festiva mas a pouco e pouco tornando-se algo frio, que lembra um pouco de tristeza no esplendor das canções épicas…
A árvore que antes era verde e alegre, personificando as sensações do Verão foi deixando cair as folhas. Deixou-se abandonar pelo calor e abraçou o Inverno, cobrindo-se de neve. Esta mudança é para onde faz mais frio, onde a personalidade outrora alegre, que ria a toda a hora vai dando lugar a outra que esconde os sentimentos.
É um renascimento, mas um renascimento feito para mim próprio, não para os outros.
Quanto menos pessoas souberem o que sinto, quem amo, a minha alegria ou a minha tristeza melhor eu fico. Por isso a imagem aqui ao lado, nevoeiro a cair sobre uma floresta e sobre um caminho…
E agora fica a questão mais importante de todas: Porquê?
Sei que com esta nova maneira de ser, irei magoar algumas pessoas. Se não magoar, talvez irei afastar alguém mas talvez seja mesmo isso que eu quero. Afastar as pessoas de mim. Mas isso é apenas um meio, um meio para um fim. Afastar as pessoas não é o meu objectivo, o meu objectivo é proteger-me tanto do que os outros possam fazer como proteger-me do que os outros possam dizer.
Mas isso talvez seja um porquê do porquê. A razão deste renascimento, desta mudança é o facto de me ofereçerem frieza embrulhada num papel de amizade. Para onde quer que olhe, há pessoas que pensam isto ou aquilo sobre mim e sobre os outros mas não dizem, guardam para depois utilizar. Uma espécie de ódio amigável. Estou cansado de tudo isso e muito mais, sempre fui um bocado frio, sempre consegui dissimular sentimentos, inventar sentimentos onde não os havia mas sempre guardei um bocado essa faceta pois axava que era um bocado desagradável tratar as pessoas de forma fria, impessoal, de forma pouco calorosa, quase raiando o desprezo.
Mas essa época terminou, amplifico essas capacidades para um máximo, atingindo mesmo o desprezo por tudo o que mexa.

Uma pessoa fria, que não se importa com o que os outros pensam sobre a maneira como trata os outros. Apenas me importo com uma mão cheia de pessoas, e é a essa mão cheia que me dou a mim mesmo, em vez de dar frieza. Aos outros, terão de se habituar a alguém que outrora era tão sorridente e agora é tão frio como qualquer floco de neve.
This is the very essence of the third renaissance.