Archive for October, 2006

Sempre

Nothing is forever…


Está um dia mau, muita chuva acompanhada de uma imensa tempestade.
A chuva cai e logo ocupa um buraco de dimensões consideráveis, vai enchendo o buraco e enquanto o enche vai libertando pequenas porções de terra. Esses pequenos pedaços são arrancados á terra mãe e começam a andar em círculos devido ao movimento da água até que a água começa a transbordar e os pedaços são arrastados. Pobres deles, não saberão viver sem a terra mãe.
Tudo nesta vida é etéreo, tudo se esvai nos longos movimentos de um ponteiro de relógio. Nada é eterno, gostamos de crer que sim mas não é. Gostamos de acreditar que vamos ser amigos para sempre, que este momento bom vai durar para sempre, que vamos conseguir segurar momentos na nossa cabeça para sempre. Mas não, esquecemo-nos de que tudo o que é bom não foi feito para durar e quando o momento de acabar chega, lutamos por mais um bocadinho. Só mais um bocadinho de felicidade.
Como um bocado de cera que se aproxima demasiado do sol e derrete, como o pedaço de terra que pensava que por ali iria ficar para sempre. Ambos derretem e ambos abandonam o seu lugar.
Sonhamos, e isso faz-nos mal. Sonhamos em ser ricos, sonhamos em ter aquele companheiro de vida, sonhamos em ter isto ou aquilo, sonhamos em ser felizes, sonhamos em ter tudo o que queremos. Os nossos sonhos vão sendo pouco a pouco terminados, a chuva e o vento, a água e as pedras vão tirando um bocadinho hoje e mais outro bocadinho amanhã. Sem notarmos quando vemos os nossos sonhos, eles não passam de esboços. Esboços do que poderiam ser e foram mas não o são. Eles vão sendo substítuidos e quando tentamos recordá-los, não conseguimos. Porque nem os nossos sonhos são eternos.
Nas nossas sete, oito, nove e até dez possíveis décadas de vida, tentamos fazer sempre o melhor para nós mesmos, esqueçemos que o amanhã pode não vir, que o que sempre sonhámos dizer a alguém pode ser silenciado para sempre porque não o dissemos hoje. Adiamos o momento por mais que pudemos, esquecendo o facto de quando nos decidirmos, o alguém a quem queremos dizer alguma coisa pode não querer ouvir…ou não poder.
Gostava de poder dizer que tudo fica na mesma, que tudo é eterno, que todos os sonhos se tornam realidade. Mas a essência deste artigo está nisso mesmo, tudo isso é etéreo.
Uma fotografia, onde imensas pessoas figuram. Uma a uma, elas vão desaparecendo lentamente, até não sobrar um traço da sua existência.
As amizades, acima de todas as coisas, são o mais etéreo. Todas elas acabam por desmoronar. Porque muitos de nós pensamos um monte de coisas sobre os nossos amigos. Quando por algum motivo nos chateamos dizemos tudo o que pensamos. Adulterado pelo calor do momento.
É essa a palavra chave: verdade. É algo extremamente etéreo também, porque a verdade muda consoante o ponto de vista mas se tivesse dito x ou y a x ou y, talvez e só talvez muita coisa pudesse ter sido impedida. Sim, a verdade dói e por vezes não é pouco mas não é melhor aguentar a crua verdade a viver numa doçe mentira que um dia terá de acabar?

Truth shall set you free.

8 momentos III

Os 8 melhores momentos da semana:

1- O tempo de qualidade passado com a Cláudia Jorge. Muito divertido.

2- Um pequeno imprevisto que (felizmente) me obrigou a passar algum tempo com a Sara Maia.Tu definitivamente vais ver aqueles filmes todos comigo.

3- A demonstração de como posso ser bom amigo á Lígia Rocha.

4-Nunca tinha percebido como Lisboa consegue ser uma cidade tão linda. Ficar perdido em Sete Rios é que não foi tão divertido ainda mais com o Luís Santos a dizer á Cátia Sousa que não queria ir de comboio(depois de já ter comprado os bilhetes)

5- Finalmente o meu quarto começa a estar como eu quero, começou com nova mobília e aproveitei e estou a remodelar tudo o que me aparece á frente. Afinal de contas, não é o quarto a nossa divisão? Cortinados e estante…you´re next!

6-Ida ao fórum com aquela pessoa…Extremamente divertido.

7-Os sábados. Deus, os sábados…Estão a tornar-se os melhores dias da semana. Finalmente aos sábados faço algo que considero útil.

8-Os momentos de diversão com o Nadir que se estão a tornar uma forma de esquecer tudo o que está mal, e de lembrar os sonhos que todos temos. Ver as tuas expressões de criança na loja dos doçes mas a variante é que estavas a ler a Vogue, vendo cada peça da Chanel com crescente espanto e alegria. Nada paga esses momentos de diversão.

Os 2 piores momentos da semana:

1-Saber que finalmente chegou o momento. O momento em que já não á volta a dar. Por um lado é bom.

2- Atitudes que não são pensadas e depois dão origem a situações más. Não gostei do que fizeste, disseste e pensaste. Disse que não ias conseguir e não conseguiste, continuas a teimar que vais conseguir mas ao teimar começas a perder-me a mim como amigo, cada passo que dás em certa direcção é um passo que te afasta de mim. Começo-me a fartar dessa faceta, que para mim é demasiado parecida com hipocrisia ainda que não o é. Mas algo tem de ser feito…

Gone

Comparo muitas coisas nesta vida a uma competição, competimos por um trabalho melhor, competimos por uma melhor nota, competimos por um amigo. E para quê? Para ganhar alguma coisa? Não se ganha nada em perder ou em ganhar, apenas se perde oportunidades de estar calado, de não fazer isto ou aquilo, de não tomar esta ou aquela decisão. Porque mesmo que a competição seja coroada de victória, depressa percebemos que cada batalha vencida, cada mérito ganho tem um preço…todas as victórias tem um preço, alto ou baixo.
Só agora começo a perceber que tenho de desistir, desistir de tudo o que tinha preparado, desistir de tudo o que não acabei…e acima de tudo…desistir de ti, e de ti, e de ti, e de ti, já que aqui estou também desisto de ti. Agora percebo que me ofenderam com a arma que estavam a ultilizar: Divide et impera.
Tirem-me o céu, tirem-me o inferno, tirem-me as emoções, tirem-me o amor, tirem-me o ódio, tirem-me a amizade, tirem-me a companhia, tirem-me tudo. Mas não me podem tirar a capacidade de sonhar, isso ninguém me tira. Só a isso posso apelidar de meu.
Esta canção apesar de muito triste, define muito bem o que sinto/penso.

Gollum´s Song- The Lord Of The Rings: The Two Towers OST

Where once was light
Now darkness falls
Where once was love
Love is no more
Don’t say goodbye
Don’t say I didn’t try

These tears we cry
Are falling rain
For all the lies you told us
The hurt, the blame!
And we will weep to be so alone
We are lost
We can never go home

So in the end
I’ll be what I will be
No loyal friend
Was ever there for me

Now we say goodbye
We say you didn’t try

These tears you cry
Have come too late
Take back the lies
The hurt, the blame!

And you will weep
When you face the end alone
You are lost
You can never go home
You are lost
You can never go home

8 Momentos II

Os 8 melhores momentos da semana:

1- Ficar deitado na cama a olhar para o tecto, a pensar em demasiadas coisas. Soube bem.

2- Greve! Fomos para o fórum debaixo de chuva intensa mas quando lá chegámos valeu a pena. Dia excelente.

3- O imenso tempo passado com a Sara Martins na Bambú, fez-me ver muitas coisas e perceber ainda mais. Mais uma vez, obrigado!

4- Ice Age 2. Sem dúvida um dos grandes momentos da semana. Há muito que não me ria assim.

5- Porque não um momento triste? Também nos faz crescer, o problema é que este durou um pouco mais que o esperado…

6- Recordação de momentos que infelizmente já passaram e nunca mais irão voltar. Sozinho num banco que me é familiar pensei em tudo o que já ali tinha acontecido e chorei, chorei por alegria e por tristeza.

7- O grupo de jovens continua a surpreender. Passo ali momentos fantásticos, por estar rodeado de pessoas fantásticas, por me ensinar, por ser divertido e acima de tudo porque sempre que fui tenho chorado a rir. Voçês são os melhores!

8- Os passeios com a Ana Neto que continuam a primar pelo seu conteúdo diversificado e interessante.

A Letra Escarlate

A letra escarlate. Na era medieval, as pessoas que cometiam adultério eram obrigadas a utilizar roupas com um A vermelho para todos saberem que tinham cometido esse pecado/crime. Actualmente e como é obvio ninguém utiliza essas letras mas algumas pessoas, por vezes a brincar, por vezes a sério, dizem que a sua letra escarlate é isto ou aquilo devido a algo que axam ser um defeito ou que outras pessoas pensam ser um defeito, por vezes nem um defeito é, é apenas algo que as pessoas axam que são.

A minha letra escarlate é S. S de Solitário. Por vezes penso que pertenço a muitos sítios no entanto não pertenço a nenhum. A única coisa que me faz pensar que devia pertençer a este ou aquele sítio são as memórias. As memórias do que já se passou naquele sitio ligam-me a ele no entanto é só isso, o sentimento de pertença não existe.
Por mais que as pessoas tentem aproximar-se, por momentos até podem conseguir mas depois sinto-me sempre inseguro em relação a confiar nessas pessoas.
Sem ninguém a quem possa chamar meu, porque por mais pessoas que estejam comigo sinto-me sempre sozinho, não me identifico com ninguém. Sei que há pessoas ao meu redor, e que essas pessoas são pessoas que nunca iriam fazer o que penso que podem fazer. Mas há o ditado: Casa roubada, trancas á porta. Sim, S é sem dúvida a minha letra escarlate, gostaria que fosse outra qualquer mas é como me sinto, é isto que eu vejo quando falo com alguém, isto que vejo no meu dia. Talvez também possa ser P. P de Perdido

Sonhos

Começou a chover, não aquela chuva que apenas cai um bocado para daí a uns momentos não existir traços da sua existência a não ser as diminutas poças que se avistam no chão.
Hoje foi diferente, hoje foi chuva a sério. Chuva que cai e se mantém a cair durante muito tempo, chuva que molha a sério, que cria piscinas em vez de poçinhas insignificantes. E quando acordei e olhei pela janela, vi que estava a chover. E logo um sorriso figurou na minha cara. Muitas pessoas ficam tristes com a chegada do Inverno, o seu humor muda, ficam mais tristes, quase como um ínicio de depressão. Eu não, quando chega o Inverno fico feliz. Dá-me prazer ver a chuva a cair, gosto de sentir o frio sabendo que basta vestir mais qualquer coisinha para remediar tal estado de coisas.
A chuva cai, milhares de gotas encontram-se com o chão. Milhares de gotas encontram-se com roupa, tecidos, metais, rostos e afins. Milhares de gotas encontram-se no ar. Mas milhares de gotas nunca irão cair onde era suposto, milhares de gotas não irão cair onde queriam, milhares de gotas serão extraviadas. Milhares de gotas deixarão de sonhar.
Porque a vida é isso mesmo, quantos de nós, quais gotas vamos onde não queremos? Quantos de nós fazem parte de um círculo que não compreendem? Quantos de nós nos evaporamos sem qualquer sentido, sem podermos dizer que fizemos algo de útil enquanto estavamos a ser formados, enquanto estávamos a cair e enquanto embatemos no chão, enquanto por ali ficámos e enquanto a vida começava a esvair-se? E após isso, o que resta?

8 momentos

Hoje é domingo e iniciando um novo modelo de blog vou a cada domingo escrever um artigo com as 8 melhores coisas que me aconteceram nesta semana, um artigo onde as coisas a que mais dei valor são expressas. Não estão nem por ordem cronológica nem por ordem de importância.

1- Acordar com o despertador e voltar a adormeçer. Quando acordei já tinha perdido uma aula. Bom para a saúde mental.

2- Ficar na paragem com a Lígia á espera do autocarro que nunca mais chegava e entretanto divagar sobre os mais diversos assuntos.

3- Encontrar o Diogo na paragem e falar com ele, coisa que não acontecia há demasiado tempo.

4- Ser ajudado pela Sara Martins , conseguiu-me fazer ver a felicidade em quase tudo. Obrigado. Adoro-te moça!

5- Rir-me que nem um perdido com os momentos mais divertidos que uma turma de 12º ano pode oferecer.

6- O convívio que só a pastelaria Bambu pode ofereçer, lá sinto-me feliz pois posso falar á vontade com os meus melhores amigos.

7- A simplicidade de ver um rapazinho vestido de escuteiro com um ar de “sou muito importante”. Ás vezes queria voltar a ser uma criança, na infância tudo é bom e alegre. Invejo-vos criançada.

8- Os jogos de olhares, o fingir que não olhei, o fingir que não vi o olhar, as trocas com um sorriso na cara. Isso sim, é a luxúria no seu melhor.

Void

Por vezes dou por mim a observar o vazio. Não que goste de ficar a olhar para um ponto mas sem estar a olhar. Olho porque fico a pensar, olho porque não gosto de estar de olhos fechados em locais publicos. Sinto-me inseguro. Olho para o vazio a dar hipóteses a mim mesmo, a equacionar possiveis cenários. Não é propriamente uma boa perspectiva até porque nem sempre os cenários são os melhores. Nem sempre vejo o campo de rosas ou o céu azul, por vezes vejo coisas tristes mas tento não pensar nelas porque pensar nelas não me vai ajudar. Apenas tenho de me conformar e lembrar-me do lema: Life doesn´t promise a bed of roses