Nothing is forever…
Está um dia mau, muita chuva acompanhada de uma imensa tempestade.
A chuva cai e logo ocupa um buraco de dimensões consideráveis, vai enchendo o buraco e enquanto o enche vai libertando pequenas porções de terra. Esses pequenos pedaços são arrancados á terra mãe e começam a andar em círculos devido ao movimento da água até que a água começa a transbordar e os pedaços são arrastados. Pobres deles, não saberão viver sem a terra mãe.
Tudo nesta vida é etéreo, tudo se esvai nos longos movimentos de um ponteiro de relógio. Nada é eterno, gostamos de crer que sim mas não é. Gostamos de acreditar que vamos ser amigos para sempre, que este momento bom vai durar para sempre, que vamos conseguir segurar momentos na nossa cabeça para sempre. Mas não, esquecemo-nos de que tudo o que é bom não foi feito para durar e quando o momento de acabar chega, lutamos por mais um bocadinho. Só mais um bocadinho de felicidade.
Como um bocado de cera que se aproxima demasiado do sol e derrete, como o pedaço de terra que pensava que por ali iria ficar para sempre. Ambos derretem e ambos abandonam o seu lugar.
Sonhamos, e isso faz-nos mal. Sonhamos em ser ricos, sonhamos em ter aquele companheiro de vida, sonhamos em ter isto ou aquilo, sonhamos em ser felizes, sonhamos em ter tudo o que queremos. Os nossos sonhos vão sendo pouco a pouco terminados, a chuva e o vento, a água e as pedras vão tirando um bocadinho hoje e mais outro bocadinho amanhã. Sem notarmos quando vemos os nossos sonhos, eles não passam de esboços. Esboços do que poderiam ser e foram mas não o são. Eles vão sendo substítuidos e quando tentamos recordá-los, não conseguimos. Porque nem os nossos sonhos são eternos.
Nas nossas sete, oito, nove e até dez possíveis décadas de vida, tentamos fazer sempre o melhor para nós mesmos, esqueçemos que o amanhã pode não vir, que o que sempre sonhámos dizer a alguém pode ser silenciado para sempre porque não o dissemos hoje. Adiamos o momento por mais que pudemos, esquecendo o facto de quando nos decidirmos, o alguém a quem queremos dizer alguma coisa pode não querer ouvir…ou não poder.
Gostava de poder dizer que tudo fica na mesma, que tudo é eterno, que todos os sonhos se tornam realidade. Mas a essência deste artigo está nisso mesmo, tudo isso é etéreo.
Uma fotografia, onde imensas pessoas figuram. Uma a uma, elas vão desaparecendo lentamente, até não sobrar um traço da sua existência.
As amizades, acima de todas as coisas, são o mais etéreo. Todas elas acabam por desmoronar. Porque muitos de nós pensamos um monte de coisas sobre os nossos amigos. Quando por algum motivo nos chateamos dizemos tudo o que pensamos. Adulterado pelo calor do momento.
É essa a palavra chave: verdade. É algo extremamente etéreo também, porque a verdade muda consoante o ponto de vista mas se tivesse dito x ou y a x ou y, talvez e só talvez muita coisa pudesse ter sido impedida. Sim, a verdade dói e por vezes não é pouco mas não é melhor aguentar a crua verdade a viver numa doçe mentira que um dia terá de acabar?
Truth shall set you free.