“The End’s Not Near, It’s Here”

Leitores, este será o último post. A verdade é que tenho demasiadas coisas para fazer: um namoro e várias amizades para manter, dezenas de livros para ler, outras dezenas de cds para ouvir e outras coisas que me tiram tempo. (Falando em cds, oiçam o Viva La Vida Or Death And All His Friends dos Coldplay, em especial a canção Cemeteries of London).
Sem tempo, decidi deixar de escrever aqui. Não é algo que me seja muito necessário e vivo bem sem escrever num blog. Portanto, leitores mais ou menos atentos, um cheers para vocês.

Carlos André da Palma Alves

Shutting Down

Leitores, estou cansado como só um aluno em época de exames consegue estar. Também não ando propriamente a ter comportamentos saudáveis, devido à falta de tempo a comida não anda a ser a melhor, ando a fumar como nunca antes fumei e a dormir pouco.
Na segunda-feira, quando o exame de matemática acabar, serei uma pessoa cansada mas feliz. Passarei o resto da semana a dormir e quando sábado for ao Bairro Alto serei uma pessoa descansada e feliz. Melhor ainda porque eu e os meus amigos comemoraremos o fim dos exames (ou não) , os meus anos e o LGBT Pride que acontece nesse dia. Até lá, continuarei a dormir pouco e a estudar muito. Se estão em exames nacionais ou da faculdade, best of luck to you e que Lynch vos acompanhe.

Carlos André da Palma Alves

aMUSEd

Convenhamos, a primeira imagem que tive do Rock in Rio 2008 não foi a melhor: uma rapariga sentada a vomitar com um grupo de amigos a pairar à sua volta com ar de quem não estariam muito longe do destino da rapariga.
Mas pensei que fosse alguma irresponsável que não sabia começar bem o dia e continuei alegremente na enorme fila que havia para entrar no recinto. As pessoas que era suposto estarem comigo estavam ainda na estação de metro da Bela Vista. Eu tinha chegado mais cedo porque apanhei um táxi nas Laranjeiras, onde tinha tido uma consulta. Fui revistado pelos seguranças e momentos depois estava no recinto.
Além de enorme, começava a ficar cheio, isto às 17 horas da tarde. Fui logo para o palco mundo e minutos depois os meus amigos chegavam.
Ficámos sentados a tirar fotofrafias, todos naquele estado de ansiedade que precede um concerto. Ainda não sei muito bem que horas eram mas os Orishas lá começaram. Não posso dizer que gosto da sonoridade deles mas pelo menos sempre conseguiram puxar um pouco pelo público, mesmo apesar de terem sido gozados por algumas pessoas.
Seguiram-se Kaiser Chiefs, que para mim foram a grande surpresa da noite. Deram um concerto óptimo, cheio de energia, especialmente quando o vocalista se passa e começa a correr pelo corredor que separava o público, saltando para cima de uma casa com colunas ou whatever lá dentro. Eu, que estava ali perto, pude vê-lo perfeitamente. 
Pequena nota: por esta altura eu já estava a ficar com sede e foi também durante o concerto dos Kaiser que fumei a minha primeira ganza (hooray!). E não, não fiquei mocado nem me senti mal.
Adiante, Kaiser Chiefs acabaram e estava agora em total excitação, afinal de contas Muse iriam começar dentro de momentos. Quando finalmente apareceu nos ecrans a mensagem “Palco Mundo. Muse” foi o delírio. Knights of Cydonia fez-se ouvir como primeira canção e foi fantástico ver tanta gente a cantar e a pular. Seguiu-se Hysteria, uma das minhas canções preferidas dos Muse. Como se não bastasse, a minha canção preferida deles tocou depois da Hysteria, Map of the Problematique. Saltei, gritei, cantei e as 11 canções que Muse tocaram foram algo de outro mundo. Quando tocaram a Plug In Baby estive perto do avc, é uma canção excelente em estúdio e ainda melhor ao vivo. Não tocaram a Butterflies and Hurricanes mas tocaram a Feeling Good, que canção! Há verdadeira magia em veres a tua banda preferida ser tão adorada pelo público como Muse foram. Foram sem dúvida os Reis do dia de ontem, talvez a organização esteja agora a pensar “bolas, talvez os Linkin Park não sejam assim tão bons…”
Depois do concerto de Muse acabar (tear), saímos de onde estávamos para ir beber água. Nunca nada foi tão complicado, eram pessoas a empurrar para sair, pessoas a empurrar para entrar. Caótico.
Finalmente lá saímos e fui para um lugar onde se vendia água (2 euros por 50 cl) e fiquei com os meus amigos ao pé da entrada principal. Offspring começaram mas como não ligo muito à banda, ignorei. De notar que imensa gente se foi embora após Muse acabar, o que indica que muita gente estava lá só por causa deles. Coincidência ou não, o fogo de artíficio foi depois de Muse, não depois de Linkin Park. I do wonder…
As pitas histéricas começaram todas a ficar ainda mais histéricas quando Offspring acabou, não que Linkin Park não tenham pessoas normais a gostar deles, mas…
Não vi Linkin Park, logo não posso avaliar o concerto. A maioria diz-me que foi aborrecido e secante. Talvez tenha sido, talvez não. O que me interessa é que Muse foram perfeitos, o concerto foi perfeito. O melhor concerto da minha vida (até dia 14 de Setembro claro).
Fui depois para Santos com um amigo meu, mortos de cansaço mas felizes como nunca. Vou agora voltar para a cama porque ainda estou cansado e queria ver o Notting Hill que dá hoje (hahahah, adoro o filme. Não me batam!)
Sobrevivi a um concerto de Muse, estive perigosamente perto do badagaio mas aqui estou eu. Agora venha de lá essa Madonna dia 14 de Setembro para tirar a prova dos nove. Embora aí seja mais perigoso. Vai-me dar um avc mal ela apareça.

P.S.: Esta noite não teria sido o que foi não fossem a Magda e o Marlon, as melhores pessoas que se pode querer num concerto. 

Carlos André da Palma Alves 

(a)Muse me!

Ontem lá fui eu ao Almada Fórum comprar o meu bilhete para o Rock In Rio. Eis se não quando vejo um bonito placard a dizer “Os bilhetes para o Rock In Rio, dia 6, encontram-se esgotados”. Apeteceu-me mandar o iPod (era a coisa mais à mão) à cara da senhora que estava na bilheteira da Fnac.
Não o fiz, ao invés, fui para casa desolado enquanto mandava mensagens a um amigo meu, que partilhava da minha desolação pois Muse também são a banda preferida dele.
Pensei em ir a Lisboa ver se havia, não perdia nada com isso. Estava eu no barco e recebo um telefonema do referido amigo a dizer que tinham posto bilhetes à venda na Fnac do Colombo. Toda a minha alma se enlevou! Tentei chegar o mais depressa possível ao Colombo, sempre a pensar “ai se os cabrões dos bilhetes esgotam”.
Não esgotaram. Sou agora o feliz possuidor de um bilhete para o Rock in Rio! ( E ainda levo com Kaiser Chiefs, o que é bom. )

P.S.: Porra! Em três dias gastei quase 120 euros para concertos, Madonna e Muse. *felicidade* 

(um muito feliz) Carlos André da Palma Alves 

(Mad)ness

Leitores, hoje foi o dia em que mais perto estive de um avc. A fila para comprar o bilhete para o concerto de Madonna era enorme mas lá consegui. Mal dormi na noite de ontem a pensar que os bilhetes iam esgotar. Andei no autocarro com 120 euros (comprei o bilhete de uma amiga minha também) e sempre que alguém olhava para a minha mala eu agarrava-a com força. Quando cheguei à Fnac ia-me dando o badagaio, a fila, além de grande, avançava muito lentamente. O tempo que esperei foi grande mas deu para fazer amigos. Agora tenho o bilhete fechado a sete chaves e faço parte do clube das pessoas mais felizes do mundo.
Nunca mais é Setembro… mas hell, pelo menos sei que vou concretizar um dos maiores sonhos da minha vida.

Carlos André da Palma Alves 

Definitions

Não precisas de mim tanto quanto pensas.
Ele vai para o seu quarto à procura do que tem em mente, passa os dedos pelos livros da estante e sente os momentos que passou com eles, as incontáveis horas que os teve nas mãos; as emoções que sentiu ao ler as histórias de cada personagem.
Mas não procura histórias, procura definições. Encontra o dicionário mais longe do que estava à espera. Apercebe-se da razão de estar tão distante dos outros livros, uma definição não é o mesmo que uma história, é mais restrictiva, mais limitadora mas mais conclusiva. Nas definições não há lugar para interpretações.
Tira o dicionário do lugar onde está e leva-o para o sofá, procura a letra que começa a palavra que quer e passados alguns momentos de ligeira confusão encontra-a.
Há um sentimento de iluminação, de escuridão que é subitamente esclarecida por algumas linhas de texto. É então isto que significa, é então isto que sente…
Não precisas de mim tanto quanto pensas.
Os seus olhos estão sonhadores, fixados no nada e no vazio. Pensa em tudo o que se passou nos últimos dias e no modo como tudo poderia ter sido diferente se soubesse aquelas linhas de que acabou de ler. Como algumas palavras poderiam ter impedido tantos acontecimentos. As palavras podem significar tudo ou nada, depende de quem as ler, da sua capacidade de as compreender. Palavras podem mudar uma existência, justificá-la ou anulá-la.
 Não precisas de mim tanto quanto pensas.
 Ele levanta-se e devolve o dicionário ao seu lugar. De imediato se apercebe de tudo o que mudou, de tudo o que vai mudar apenas com uma definição. Pega no telemóvel e escreve as conclusões a que chegou, é uma mensagem longa, cheia de sentido e muito baseada na definição que leu. “Mensagem enviada.”
Não precisas de mim tanto quanto pensas.

Carlos André da Palma Alves 

“Because while the truncheon may be used in lieu of conversation, words will always retain their power. Words offer the means to meaning, and for those who will listen, the enunciation of truth.”

V For Vendetta

Pretending

O restaurante está cheio, várias pessoas estão sentadas em mesas para dois. Uns estão a olhar para as paredes, em busca de algo interessante, uma vez que não encontram nada nas pessoas com quem se sentam.
Outros falam com a companhia que têm, ou fingem que estão interessadas e que a conversa é boa ou realmente sentem que estão ali bem, que há significado no que dizem; no que pensam; no que sentem.
A zona de fumadores está igualmente cheia, duas pessoas sentadas numa mesa destacam-se das restantes. São absolutamente iguais a todas as outras. Um homem e uma mulher estão a ver o empregado a colocar a comida na mesa. Lulas recheadas, foi a mulher que escolheu a refeição, ciente do seu poder de escolha.
O homem olha para o prato posto à sua frente e esconde o seu desprezo e nojo, sorrindo para a mulher à sua frente.
Pega no garfo e mete um pouco do conteúdo do prato na boca, engole-o tentando não sentir o sabor. Neste momento sente apenas nojo.
Um maço de tabaco está em cima da mesa, o homem olha para ele num acesso de desespero. Precisa de se ocupar, precisa de algo que o abstraia do restaurante; da pessoa à sua frente; das outras pessoas no restaurante, tão desesperadas por encontrar algo que nunca encontrarão.
Abre o maço e tira um cigarro, ainda está cheio, foi comprado recentemente e ainda possui o brilho e toque característicos de um maço novo. Acende o cigarro e inspira com prazer e algum alívio. Sente também culpa, sabe que a mulher despreza o fumo e sente já o olhar crítico dela, pensando no quando odeia que ele faça isso.
Ignora-a, sentido mais uma vez o acesso de ódio vindo de alguma parte do seu ser que lhe é desconhecida. Não se interessa pelo facto de não saber porque a odeia, sabe que a odeia, é suficiente.
O fumo do cigarro condensa-se junto das luzes acima da mesa, o homem observa-o enquanto engole mais comida, cada vez que o faz sente o mesmo desdenho que sentiu da primeira vez que a meteu na boca.
O homem dá por si a pensar na razão de ali estar, num sítio que não gosta, com uma pessoa que não gosta e a comer coisas que não gosta. Não encontra a razão, sente apenas a necessidade de estar com alguém, de se sentir amado, mesmo que o amor não seja recíproco.
Até a atracção que o mundo lhe diz para sentir lhe é totalmente estranha e longínqua. Abstrai-se da corrente de pensamentos da sua cabeça, continua a comer e a fumar. Fala com amulher, ela pensa que o único defeito dele é fumar. Tudo o resto nele é fabuloso, até o sexo feito com amor e sentimento como ela nunca tinha feito antes. Não está ciente de que cada uma dessas sessões de sexo é um suplício para o homem, que se esforça ao máximo para se excitar, sentido apenas o mais leve indício de prazer.
Ouvem-se vários gritos de desapontamento, há um jogo de futebol a passar nas várias televisões espalhadas pelo restaurante. Ao homem não interessam os jogos de futebol, meros meios de fuga de uma realidade que é demasiado agreste para ser enfrentada. Meter-se em frente a uma televisão e ansiar por golos e victórias é mais fácil do que lutar.
O homem grita quando uma das equipas marca golo, o seu grito sendo abafado pela multidão que grita com ele. Dá por si a pensar no que acabou de fazer, é realmente mais fácil festejar. Senta-se com um sorriso na cara.

Carlos André da Palma Alves 

Today

A toalha passa pelos seus olhos antes de ir para o seu cabelo. Esfrega-o com força a mais, o seu cabelo sempre foi forte mas após a lavagem fica sempre frágil. A toalha volta a passar pelos seus olhos. Acordou minutos antes, não dormiu muito mas dormirá nesta tarde. Quando o vulto laranja da toalha passa,  apercebe-se de que algo mudou. A certeza de tal facto começa a apoderar-se dele, espera antes de fazer qualquer coisa, quer certificar-se de que não é apenas um humor passageiro. Mais uma das suas vontades, mais um dos seus dramas, mais uma emoção fingida.
Hoje é o dia. Sabe-lo agora. Hoje é o dia em que toda uma existência deixa de ser espiralada para passar a ser recta. Hoje é o dia em que deixa tudo para trás, o bom e o mau. O passado e o presente. Hoje é o dia em que o esquece. Em que toda a dor que foi acumulando e acarinhando será aniquilada. Sabe-lo agora, após a toalha passar pelos seus olhos.
Continua o acto metódico de secar o cabelo, seca o corpo também e veste-se. Está pronto. Neste dia, de todos os dias, tão normal como todos os outros. Tão aborrecido como todos os outros. Tão fatal como qualquer outro. Hoje é o dia.
Rasga as cartas e deita-as para a fogueira. Com elas vão as fotografias. Ardem numa fogueira de fogo e dor. Ele não chora. Apenas olha para os vários papéis que ardem e pensa em tudo o que está a arder com eles. Hoje é o dia em que o deixa para trás.
Quando acaba, sente-se renovado. Não exactamente feliz. Ainda é cedo para isso. Mas sabe que hoje, neste dia de todos os dias, a possibilidade de ser feliz existe outra vez.

Nota: A ideia para este post não me veio como veio para os outros posts. Não foi num café, num autocarro, em casa ou antes de ir dormir. A inspiração veio-me no Bairro Alto às duas da manhã, com uma garrafa de traçado numa mão, um cigarro na outra, rodeado de algumas das melhores pessoas deste planeta (esta foi lamechas) e à frente de um bar gay. 

Carlos André da Palma Alves 

The Queen

É sobejamente conhecido que sou obcecado por Madonna. Quer-se dizer, eu oiço as canções dela como se não houvesse amanhã. Na última passagem de ano, fiz questão de me afastar de toda a gente na vivenda onde estava (incluindo o rapaz fascinantemente giro com quem estava, estávamos quase na primeira base…) só para pegar no meu iPod Shuffle (o grande ficou em casa) e ouvir Madonna. Faço questão que a última e a primeira canção que oiço em cada ano seja Madonna.

Eu tenho posters dela espalhados pelo meu quarto, wallpapers no pc, sei a biografia dela de trás para a frente, sou feliz possuidor de todos os cds menos o primeiro (alguém o tem?) e conheço todas as canções dela. Sou portanto viciado/obcecado.

Entrei em fase de extrema ansiedade há dias, quando a data de lançamento do novo cd foi anunciada. Só que não consegui aguentar. Sou demasiado curioso e cedo demasiado facilmente quando toca à Rainha da Música. Eram muitas as pessoas a perguntar-me se gostava do cd. Decidi fazer o download do dito cd para saber como era.
Saquei. Ouvi intensamente. Apaguei.

Não que não tenha gostado do cd. De facto adorei o cd. Apenas havia 8 canções e quero que haja alguma coisa de novo quando o for comprar. Portanto irei esquecer-me das canções nestes dias (já não me lembro de algumas) e quando o comprar será a alegria.
Irei passar pelo menos dois meses a ouvir Madonna como a minha vida dependesse disso. Irei cantar no Chiado com uma amiga minha algumas canções (fizemo-lo aquando do Confessions Tour - foi tão giro!). Irei trautear as canções por todo o lado. Serei feliz.

Por agora limito-me a ouvir os cds dela repetidamente e rezar para que ela venha a Portugal ou a Espanha. E também oiço os meus amigos a dizer que eu preciso de tratamento.

Carlos André da Palma Alves

 

Cantinho do Ódio I

O primeiro a ser atacado será o José Cid. Perdoem-me os fãs deste patético senhor (e não Ivan, não é pessoal) mas não gosto deste “cantor”. Tenho muitos amigos que gostam dele, trauteando as suas canções pelas ruas deste belo país. Até eu sei algumas canções de tão populares, mas tenho de expressar o que vai no meu coração: este homem é idiota, canta MUITO mal e as suas letras fazem Camões dar voltas na tumba.

O leitor pode perguntar de onde vem tão aceso ódio, e eu sei responder. Corria o ano de 2006, em entrevista à Rádio Comerçial, José Cid diz esta pérola: ” O último cd da Madonna está um cagalhão.”
Os que me conhecem dirão “está tudo explicado”. De facto, qualquer pessoa que diga um ai contra a Rainha é de imediato merecedor de toda a (muita) arrogância e desprezo de que sou capaz. Mas a frase idiota do senhor foi apenas um catalisador. O facto é que considero Jocé Cid verdadeiramente overhyped. Ele tem uma imagem horrível, uma voz ainda pior e qualquer sucesso que ele tenha já faz parte do passado e neste momento já está enterrado. Dentro de anos ninguém ouvirá falar de José Cid, apenas será um homem que cantou umas coisinhas e que dizia e fazia coisas tristes.

Os Gato Fedorento é que disseram tudo: http://www.youtube.com/watch?v=XUoxIbR11UY&feature=related

Carlos André da Palma Alves

Houston, we have a problem.

Leitores, tenho um vício que me preocupa e que me levará à banca rota em três tempos.
Ontem, fui ao Almada Fórum com um amigo à tarde e duas amigas foram lá ter para jantar. Claro está que eu fui à Fnac ver se havia qualquer coisa interessante para se comprar. Claro está que havia.
Após uma inspecção à secção de livros, rapidamente tinha na mão dois portentos da literatura (El amor en los tiempos del cólera - Gabriel García Márquez e The Importance Of being Earnest - Oscar Wilde) e dirigi-me a uma caixa para pagar. Estava a falar com uma das referidas duas amigas, a dizer-lhe que devíamos ir ao Finalmente porque era muito giro. Nisto, a senhora que estava na caixa interrompeu a conversa dizendo que o Finalmente era “super, música fantástica, pessoas fantásticas e era do melhor para abrir os horizontes”. Claro está que me apaixonei. Depressa começei a falar com a senhora que momentos depois estava comigo na secção de livros. Ela diz-me que a sua escritora preferida era Virginia Woolf e eu apaixonei-me outra vez. Disse que Woolf também era a minha escritora preferida e ela perguntou-me quais eram os livros que já tinha lido dela. Apontei para o Selected Works Of Virginia Woolf que estava por ali e ela meteu-me na mão o The Years, um livro que já andava a namorar há anos mas que nunca tinha visto na Fnac. Sugeriu-me também o Les Misérables (Victor Hugo), livro que já li há uns três anos. Comprei também. 

Resultado: quatro livrinhos comprados (três deles já lidos anteriormente) e um rombo na carteira. A vida é bela!

Carlos André da Palma Alves 

Diálogos III

[Marlon olha espantado para André]
André: What??
Marlon: Estás a fumar Marlboro, a beber uma “jola”, tens um porta-chaves do Benfica e estás a cantarolar uma música Techno-House. Daqui a pouco entra uma rapariga no café e tu dizes “epá, eu comia aquela gaja toda!”. Não fosse a tua camisola roxa e pensaria que tinhas sido raptado por aliens que te tinham injectado um fluido para te tranformar em hetero. 

Diálogos II

[através de sms's]
André: Desculpa não ter respondido mas estava a ver o jogo.
Luís: Que jogo?
André: Sporting-Benfica…
Luís: Ew! Vou esquecer essa demonstração de heterosexualidade e esperar que estejas a ouvir Goldfrapp para recuperares.

Saudações Leoninas!

Saí de casa ontem para o café estava o Benfica a ganhar 2-0. Chego ao café com uns amigos e a situação já não era a mesma. Estava 2-1. A partir daí foi um festim de golos naquele café até à bela soma de 5-3.
Fiquei relativamente feliz durante os cinco minutos após o jogo mas nada demais, o meu interesse por futebol é muito frágil, só me interesso quando há jogos da selecção e pouco mais. Mas o objectivo deste post não é congratular o Sporting pela victória ou gozar com o Benfica por não saber manter um resultado. Não. O meu post serve para explicar a razão de eu não gostar de futebol.
Após o jogo ter terminado, um senhor que está quase sempre à mesma hora que eu no café ficou visivelmente chateado com a amarga derrota do Benfica (MUAHAHAHA) e insultou uns quantos “Sportinguistas da merda” que por ali estavam (e eram muitos). Ora, pergunto-me porque razão pessoas se chateiam por um jogo parvo. Ainda se se chateassem por alguma coisa séria… mas não, é futebol.
Isto é algo que me perturba verdadeiramente, o facto de alguém matar alguém só porque é de um clube diferente do seu (já aconteceu). Não é só isto, tenho sérias dificuldades em perceber tudo o que seja crimes de ódio, especialmente porque sei sou um possível alvo para esse tipo de crimes por pelo menos três motivos.
Portanto caros leitores, quando alguém mandar vir convosco porque são do Glorioso (MUAHAHAH) ou do Victorioso Sporting, ofereçam uma “jola” (okay…eu escrevi jola…) e confraternizem sem violência, verbal ou otherwise.

Nota: Porra, o Liedson está cada vez mais feio!

Carlos André da Palma Alves

Smoking Issues

Leitores, poderia agora fazer uma dissertação sobre muita coisa: poderia falar sobre a beleza excruciante da Nicole Kidman; poderia relatar a minha tarde de ontem, em que fui à minha primeira reunião da Rede Ex-Aequo; poderia descrever o meu aborrecimento por não ter ido ver David Fonseca; poderia até, em palavras fortes, dizer o quão chateado fico sempre que dizem as palavras “Acordo Ortográfico”; poderia até relatar que hoje ia sendo atropelado por um Audi enquanto atravessava uma rua numa passadeira (um Audi for the love of God, ainda se fosse um Aston Martin V12 Vanquish..).

Mas não. Hoje falarei sobre um assunto mais interessante: o tabaco.
Desenganem-se os leitores fumadores que pensam que irá ser um post anti-tabágico, sempre achei tais coisas verdadeiramente idiotas. Se um fumador quer deixar de fumar, que se meta numa consulta ou algo assim. Não é preciso criaturas bloggeiras andarem a fazer propaganda contra os cigarros.
Aliás, nunca percebi a relação “é fumador>quer deixar de fumar”. Eu não fumo muito, passo dias sem fumar e sem qualquer sintoma de abstinência, sintomas esses que sinto quando, por exemplo, não bebo café ou quando dá o badagaio ao meu iPod e ele falece nas minhas mãos com falta de bateria. Mas mesmo apesar de não fumar muito, passo-me sempre que velhinhas me dizem “oh filho, isso só te faz mal”.

Mas não é sobre esse tipo de conversas relacionadas com o tabaco que eu quero falar. Quero falar sobre as coisas irritantes que os fumadores fazem.
Há muitas coisas que me irritam nos fumadores: (obviamente, não faço nenhuma delas. A sério.)

Fumar para cima de outras pessoas. Odeio quando não estou a fumar que alguém me atire fumo para cima. Primeiro porque é uma falta de educação extrema e segundo porque odeio o fumo de todos os cigarros excepto da marca que fumo e os de cereja.

O hábito de bater no maço para “espalhar a nicotina”. Não sei porquê, irrita-me. Até porque duvido seriamente da verdade da teoria. Mas quem sou eu para a negar…

Pessoas que deitam os pacotes para o chão. O ambiente está em perigo!

Fumar para cima de crianças. Isto é das coisas que mais irrita neste planeta, quase tão irritante como o Safari bloquear quando não gravei um post. Acho simplesmente horrível, ainda há dias estava uma senhora a fumar para dentro do carro do bebé. Apeteceu-me tornar-me violento. Acho mesmo péssimo.

Anti-fumadores, ainda há fumadores com maneiras como eu.

Carlos André da Palma Alves

 

Diálogos I

André: As minhas relações até costumam ser longas…
Ricardo: Oh, claro que sim…
André: Pois costumam!
Ricardo: Por amor de Deus, a tua relação mais longa foi com o “Guerra e Paz” e só durou quatro meses!
André: (risos) E foi a única com um final feliz. 

Carlos André da Palma Alves 

Change

Como só estou feliz onde não estou, decidi mudar as coisas por aqui.
Este blog passará a ter textos exclusivamente diários, como os que escrevia há uns tempos. Os textos de ficção serão escritos noutro lugar. 
Começarei com os referidos textos sexta-feira. Podem ver os textos de ficção no seguinte link .

Carlos André da Palma Alves 

The Waves

Levanta-se, sem paciência para continuar naquela divisão e sem forças para fazer algo mais do que dormir. Ao andar para o seu quarto, não consegue deixar de reparar no silêncio que enche a casa. Pouca ou nenhuma luz passa pelas janelas e confia na memória mais do que confia na visão para chegar ao quarto e depois à cama.
Está calor, apenas se cobre com o lençol, está frio demais para estar sem ele e calor demais para qualquer coisa mais. O seu quarto está escuro e mal pode discernir qualquer forma. Com a cabeça na almofada, reza para que o cansaço (mental e físico) tome conta da sua mente e faça com que adormeça rapidamente.
As suas preçes não são atentidas. Por mais que tente, não consegue adormecer e sabe o que isso acarreta. Sem mais nada para fazer, começa a pensar em tudo o que se passou, em tudo o que foi dito, e mais importante, em tudo o que irá ser dito.
Os seus pensamentos começam a aumentar de intensidade, e também de gravidade. Sente o seus pensamentos como ondas, que embatem no seu ser com alguma força (não muita, mas cada onda com mais força do que a anterior) e que fazem com que mergulhe cada vez mais no turbilhão dos seus pensamentos.
Agarra o lençol com força, não se pode desmoronar, não pode ceder às lágrimas. Isso só pioraria os seus pensamentos e a forma como se sente.
“A culpa não é minha. Não fui eu que escolhi.”
Desaba finalmente. Soluça, treme e as lágrimas correm pela sua cara. As ondas estão agora enormes, caiem sobre si com força estrondosa, arrancando grandes pedaços de si e atirando-os para a areia molhada.
Ainda agarra o lençol, não para se impedir de chorar mas para manter o silêncio no seu quarto. Não quer que ninguém oiça os seus soluços.
Mexe-se ligeiramente e sente uma picada na perna, com a mão vai à procura do objecto, mesmo apesar de já saber o que é. Está escuro mas mesmo assim consegue vê-la perfeitamente. A faca está firme na sua mão, hesita durante momentos. Faz a sua decisão.

Carlos André da Palma Alves

Playing Hide and Seek / The Siege

“Onde estamos nós?” perguntou ele a si próprio enquanto dava um passo atrás do outro numa rua que já tinha percorrido centenas de vezes. No entanto, sabia que não era essa a pergunta importante a ser feita. Demorou-se um pouco, à procura da pergunta certa. ”Porque é que está tudo errado?”

Faz-me um favor, controla-te.
Talvez sejas tu que não vês, ou até vês mas ignoras. Esqueces, no entanto, que ao ignorares destróis um pouco mais daquilo que tu mesma ajudaste a construir. Uma vez disseste-me que não querias isso. A tua opinião mantém-se?
Faz-me um favor, vê.
É a terceira vez, talvez seja a última ou talvez não. Mas talvez um pouco de atenção ao futuro? Talvez uma precaução bem tomada? Garanto-te que não faria mal a ninguém.
Faz-me um favor, está calada.
Algumas palavras magoam e outras nem tanto, outras são inteligentes e outras idiotas. A tuas têm sido da pior categoria. Além de extremamente desnecessárias, são pautadas por uma qualquer raiva que não percebo e sinceramente, não quero perceber. Mas pergunto-me, o que raio tenho eu ou ele a ver com isso?
Faz-me um favor, cresce e muda.
Não manterás esta farsa durante muito tempo. Podes esconder o que quer que seja que escondes mas por mais que enterres um segredo, ele acaba sempre por vir à superfície.

Já se passaram quantos anos? Quantos dias de angústia e dor?Perdeu-lhes a conta, contava-os de início mas desistiu quando contou centenas. Eram simplesmente demasiados para lembrar, demasiados para armazenar. Há muito que estava preso dentro de si próprio. Em tempos conseguira ser feliz, em tempos tudo era normal e ninguém lhe pedia mais do que ele podia dar.
Mas tudo mudou. E agora era assaltado por forças superiores às suas defesas. Sabia que um dia teria de desistir. O que faria nesse dia? O que seria dele? Não sabia responder.

“Onde estamos nós?” perguntou ele a si próprio enquanto dava um passo atrás do outro numa rua que já tinha percorrido centenas de vezes. No entanto, sabia que não era essa a pergunta importante a ser feita. Demorou-se um pouco, à procura da pergunta certa. ”Porque é que está tudo errado?”
Decidido a não cair outra vez no vazio, virou-se para a pessoa que o acompanhava dizendo “Podemos ir para casa? Onde quer que isso seja.”

Carlos André da Palma Alves

Spiral

Estou no cais. Enquanto espero por um amigo, olho para o Tejo que está estendido à minha frente. A minha mala está a meu lado e por cima dela o maço. Está consideravelmente mais leve do que estava há uma hora.
Não sinto grande vontade mas mesmo assim tiro um cigarro. Não sei porque o faço, ou melhor, digo a mim mesmo que não sei mesmo apesar de a verdade me ser clara. Não me importo com a velocidade a que me mato, nem me importo com o sofrimento que eventualmente causarei.
É essa a essência, penso eu, eu simplesmente não me importo.
Sentado no autocarro, oiço música sem prestar atenção a nada. À minha frente está um rapaz. Sorriu-me quando se sentou. É giro, o seu cabelo loiro atrai-me assim como os seus olhos. De imediato começam a soar sinos na minha cabeça. “Não achas que já chega?” Dou atenção ao que penso durante uns momentos, de facto ando a abusar demasiado. Ou talvez não ande. Quantos foram nesta semana? Dois? Três?
E porque hei eu de me impedir? Por algum sentido de moral que me governa? Por alguma culpa que possa sentir?
De imediato escolho o caminho que vou seguir. De imediato elimino uma opção e começo a construir a outra.
Sorrio ao rapaz. Começamos a falar. O resto é fácil de adivinhar.
O vinho era doce quando meti um pouco no copo. Agora mal lhe sinto o sabor, ou se o sinto, é de uma maneira estranha que não a verdadeira. A garrafa está a meu lado, quase vazia. Não me sinto alegre, nem sinto a minha mente toldada pelo álcool. Era esse o meu objectivo quando a abri mas falhei. Em vez disso vejo mais claramente o que não quero ver. Em vez de cair num torpor idiota em que tudo é interessante e tudo mete piada, sinto cada vez mais a realidade a cair sobre mim.
Cansado e atormentado, vou ao armário da casa de banho onde sei que estão os calmantes. Tomo dois, mistura perigosa com o álcool acabado de tomar. Pouco depois tudo muda, tudo se torna simples e bom. Fico feliz e alegre. Mas sei que é algo que passará.
Sei que o caminho que ando a levar me leva a pouco e pouco à autodestruição. Sei que isso é mau. Sei que muita gente sofreria com isso. Que afectaria a vida a pelo menos seis pessoas. Outras sofreriam, claro mas saltariam sobre isso nuns meses. Gostaria ainda mais de dizer que me arrependo do que faço e que já sinto a culpa de todas as parvoíces que tenho planeadas para os próximos dias. Mas isso seria mentir.
Gostava também de dizer que não passou de mais um post de pura ficção adaptada ao que sinto, infelizmente isso não seria a verdade.

Carlos André da Palma Alves

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